Política

Trump adota política piorada do grande porrete: fale duro e com um porrete na mão.

27-01-2017, 9h11

Trump adota variante piorada da política do grande porrete

Temer orienta Serra a aproximar mais o Brasil da Comunidade Andina

KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adota uma variante piorada da política do “big stick” (grande porrete). Essa política foi implementada pelo presidente Theodore Roosevelt no começo do século 20 para defender os interesses americanos e expandir a influência internacional do país. Ela consistia em conversar suavemente com outros países, mas com um grande porrete na mão.

Trump não conversa com suavidade, pelo contrário. Só ameaça usar o porrete, como taxar produtos importados do México para arcar com o custo do muro que pretende construir na fronteira sul. Ele vende uma ilusão: essa medida poderia diminuir exportações do México para os EUA, mas jogaria a conta nas costas do consumidor americano, que pagaria mais caro pelas mercadorias.

O mundo mudou em cem anos. Os Estados Unidos se consolidaram como a maior máquina militar do planeta, mas o sentimento antiamericano tende a crescer ainda mais com Trump. Isso não é bom para os Estados Unidos nem para o planeta.

Xenofobia e mais protecionismo comercial gerarão confrontos com outros países. Na sociedade americana, acirrará ânimos e dividir ainda mais o país. Eleger um despreparado, autoritário e marqueteiro dificilmente dá certo _seja nos EUA, seja no Brasil.

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Comunidade andina

A avaliação do governo brasileiro é que as piores previsões estão se confirmando. Trump age na Presidência como se estivesse em campanha. E isso traz riscos e oportunidades para o Brasil.

O Itamaraty fez muito bem em divulgar uma nota criticando a eventual construção do muro. No ritmo atual, Trump poderá criar uma grande crise econômica no mundo, elevando o protecionismo comercial em todo o planeta, o que não seria bom para o Brasil.

Além dos riscos, há oportunidades. O Brasil pode melhorar sua relação comercial com o México, que teria de se voltar mais para a América Latina para compensar eventuais retaliações americanas. O Brasil já tem um grande acordo automotivo com o México.

O presidente Michel Temer pediu ao ministro das Relações Exteriores, José Serra, para aproximar mais o Brasil de países da América Latina, com foco na Comunidade Andina. Temer também já orientou o Itamaraty a aceitar convites de visita de Estado à Rússia e China. O Brasil poderia fortalecer ainda mais suas relações com esses dois países enquanto Trump se fecha para o mundo e busca com os russos apenas parceria militar para enfrentar o Estado Islâmico.

Por último, o Brasil poderia se alinhar aos países que defendem a civilização contra a bárbarie e criticar mais fortemente o governo americano. É assustador a defesa da volta de uma política oficial de interrogatório que use a tortura, como pregou Trump. Essa linha de ação tende a estimular uma escalada do terrorismo.

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Fator X

No meio político, há temor em relação a uma eventual delação premiada de Eike Batista. Se ele realmente se entregar às autoridades brasileiras, como promete o advogado dele, poderia contar o que sabe e comprometer políticos do PT, do PSDB e do PMDB.

Eike foi influente nos governos Lula e Dilma, mas também bastante generoso com tucanos e peemedebistas dos quais era próximo. Era uma espécie de doador universal.

 

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