Economia, Notícias gerais

Crise agrava: desemprego chega a 12%; desemprego ampliado chega a 21%.

A taxa atingiu o maior índice desde 2012, quando iniciou a atual forma de cálculo; as projeções de contração do PIB de 2016 são de 3,5%

PUBLICADO EM 31/01/17 – 09h59

AFP

A taxa de desemprego no Brasil subiu a 12% no último trimestre de 2016, contra 11,9% no trimestre anterior, um nível recorde desde o início da atual forma de cálculo, em 2012, informaram nesta terça-feira (31) fontes oficiais.

Os analistas consultados pela agência Gradual Investimentos apostavam, em média, em uma manutenção da taxa em 11,9%.

No quarto trimestre de 2015, o desemprego era de 9%. Sua piora, de 3%, ocorreu em um país que viveu seu segundo ano consecutivo de recessão econômica.

No fim de 2014, se situava em 6,5%, praticamente duplicando nestes dois anos.

No período outubro-dezembro de 2016 houve um total de 12,3 milhões de pessoas em busca de emprego no Brasil, 36% a mais (3,3 milhões de pessoas) que no mesmo período de 2015, disse o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Brasil registrou uma recessão de 3,8% em 2015 e as avaliações de 2016 são de uma contração do PIB de 3,5% (os resultados serão publicados em março).

O governo de Michel Temer lançou uma série de medidas de austeridade com a intenção de recuperar a confiança dos investidores para reativar a economia.

 

Já a construção extinguiu 857 mil postos de trabalho em dezembro ante um ano antes, queda de 10,8% na ocupação no setor

 

PUBLICADO EM 31/01/17 – 11h14

Agência Estado

Em meio a mais um ano de crise na produção, a indústria manteve as dispensas de empregados no País. A atividade cortou 955 mil trabalhadores no período de um ano, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O total de ocupados na indústria recuou 7,7% no trimestre encerrado em dezembro de 2016 ante o mesmo período do ano anterior.

Já a construção extinguiu 857 mil postos de trabalho em dezembro ante um ano antes, queda de 10,8% na ocupação no setor. “Os grupamentos mais afetados pela crise foram indústria e construção”, apontou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O comércio, que costuma contratar funcionários temporários no fim do ano, dispensou 75 mil empregados no trimestre encerrado em dezembro ante o mesmo período do ano anterior, queda de 0,4% na ocupação no setor.

Outras atividades com corte de vagas foram agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-417 mil empregados, recuo de 4,5% no total de ocupados), administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (-110 mil vagas, queda de 0,7%) e serviços domésticos (-238 mil empregados, redução de 3,7% no total de ocupados).

O setor de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas – que inclui alguns serviços prestados à indústria – registrou um avanço 174 mil vagas em um ano, 1,8% de ocupados a mais.

Também houve aumento em dezembro no contingente de trabalhadores de alojamento e alimentação (+247 mil empregados), outros serviços (+165 mil pessoas) e transporte, armazenagem e correio (+99 mil ocupados).

 

Betim: Cidade perdeu 8,5 mil empregos no ano passado

Estudo do Caged mostra que, pelo terceiro ano seguido, Betim extinguiu mais vagas de trabalho do que gerou

Crise

Jorge Wilson ficou desempregado em 2016 e está à procura de uma vaga
PUBLICADO EM 26/01/17 – 21h45

José Augusto Alves

O operador de produção Jorge Wilson foi um dos 8.449 trabalhadores betinenses que perderam o emprego em 2016. Após seis anos trabalhando em uma empresa de que fabrica peças automotivas, ele foi despedido em outubro passado.

“Foi ruim, porque nessa crise que o país vive hoje ficar sem emprego é complicado. Mesmo assim, já comecei a me cadastrar em agências de emprego, atualizar dados em outros cadastros e pedir indicações de amigos que souberem de alguma vaga” disse. “Ficar no seguro-desemprego é que não dá mais”, completou.

Decadência da economia

O levantamento indica que o país tem a sexta maior taxa de desempregados ampliado entre 31 países desenvolvidos e emergentes que foram avaliados

PUBLICADO EM 23/01/17 – 12h04


Agência Estado

A deterioração do mercado de trabalho no Brasil é muito mais profunda do que indicam as pesquisas tradicionais. Segundo estudo comparativo do banco Credit Suisse, o Brasil está entre os recordistas globais do chamado desemprego ampliado. O levantamento indica que o Brasil tem a sexta maior taxa de desemprego ampliado entre 31 países desenvolvidos e emergentes que foram avaliados.

Em síntese, a taxa de desemprego tradicional considera apenas quem procura trabalho e não encontra. A taxa de desemprego ampliada usa uma métrica mais complexa: inclui quem faz bico por falta de opção e trabalha menos do que poderia ou desistiu de procurar trabalho – sofre do chamado desalento.

De acordo com os dados mais recentes, do terceiro trimestre de 2016, a taxa de desemprego ampliada do Brasil bateu em 21,2% – quase o dobro do desemprego oficial, que nesse período alcançou 11,8%. Por esse critério, perto de 23 milhões de brasileiros estariam desempregados ou subutilizados.

Numa comparação internacional, a taxa de desemprego ampliado do Brasil está bem acima da média dos países analisados, que é de 16,1%. Também fica acima da taxa de países com renda comparável a do Brasil, como México (18,3%) e Turquia (15,9%). O Brasil está atrás apenas de países profundamente afetados pela crise internacional: Grécia (o recordista, com 31,2% de desemprego ampliado), Espanha (29,75%), Itália (24,6%), Croácia (24,6%) e Chipre (23,8%).

Esta é a primeira vez que um levantamento do gênero inclui o Brasil e isso só foi possível porque agora há dados disponíveis no organismo oficial responsável por acompanhar o mercado de trabalho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desde novembro do ano passado, o IBGE oferece informações complementares sobre a subutilização da força de trabalho.

Foi com base nessas novas estatísticas que o banco organizou o levantamento. “Os novos indicadores oficiais permitem uma visão mais abrangente sobre a realidade do mercado de trabalho brasileiro e uma comparação internacional”, diz Leonardo Fonseca, economista do Credit Suisse que coordenou o estudo.

O paulistano Tiago de Oliveira Souza, 32 anos, é um exemplo da sutileza da nova estatística. Ele não engrossa a taxa de desemprego tradicional, pois tem uma ocupação: é motorista do Uber. Mas preenche os requisitos para compor a taxa de desemprego ampliado porque é subutilizado. Souza trabalha menos horas do que poderia. “Tento fazer 8 horas por dia, mas nem sempre consigo, porque tem concorrência. A demanda oscila, tudo é muito imprevisível”, diz.

Tiago também está numa atividade abaixo de suas qualificações. Fala, lê e escreve em inglês com facilidade. Tem, na sua definição, nível “intermediário avançado”. Apenas 5% dos brasileiros têm esse domínio do idioma. De 2004 a 2014, foi metalúrgico na Mercedes-Benz Caminhões, em São Bernardo do Campo (SP). Foi de montador a inspetor de qualidade.

Aderiu a um programa de demissão voluntária pois achou que poderia fazer carreira em outra atividade. Ocorre que, naquele momento, a crise chegou e as suas possibilidades foram se estreitando. Souza, que toca guitarra e violão, foi ser vendedor numa loja de instrumentos musicais, mas não se adaptou. “As metas eram altas e as vendas caíam”, diz.

Decidiu, então, trabalhar num bar de jazz, na Vila Madalena (zona oeste de São Paulo). “Em maio do ano passado, o bar não resistiu e fechou”, diz ele.

Por quatro meses, distribuiu currículos, sem sucesso. Sobrou ser motorista. “O Uber era para complementar renda e virou atividade principal. Ainda bem que eu tenho isso.”

O economista Sérgio Firpo, professor e pesquisador do Insper, lembra que há muitos critérios para medir o desemprego. Historicamente, o desemprego do IBGE foi inferior ao do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “O que importa é que haja padronização”, diz Firpo. Nesse caso, o desemprego ampliado é um refinamento nas estatísticas que aperfeiçoa a análise do mercado de trabalho.

 

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