Política

A Lava Jato e as ações conflitantes recentes indicam novos rumos da operação.

Inversão da Lava Jato: Por que Janot decide segredo de algumas delações?

Em precaução antes não adotada, agora procuradores da Lava Jato mantêm, e imprensa defende, cuidados nas investigações que recaem e ameaçam governo Temer
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Jornal GGN – No início de janeiro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pressionava pela urgência na homologação das delações do 77 executivos e ex-funcionários da Odebrecht e defendia, até dezembro do ano passado, a quebra do sigilo. Mas nas últimas semanas, uma inversão de cenários se deu nos posicionamentos de investigadores da Operação Lava Jato e a imprensa.
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Ainda em dezembro, Janot solicitava a Teori Zavascki, então relator dos processos no Supremo Tribunal Federal (STF) que validasse os conteúdos do que vem a ser o maior dos acordos já fechados pela Operação, e que trazia temores a partidos da antiga oposição e hoje base do governo de Michel Temer, sobretudo o PMDB e o PSDB.
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A pressão da Procuradoria Geral da República se manteve no início do ano, ainda após o acidente que levou à morte o ministro Teori. Rodrigo Janot pedia à Cármen Lúcia, presidente da Corte e responsável pelo plantão judicial e medidas de urgências durante as férias forenses, para que liberasse de imediato os depoimentos.
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Assim o fez. Cármen Lúcia homologou as delações, em continuidade ao trabalho que avançava Teori, com a intermediação de o juiz auxiliar do gabinete de Teori, Márcio Schiefler Fontes, concluindo e comprovando pelos autos a urgência de tais delações. Á época, jornais diversos divulgaram que Cármen Lúcia era a responsável por não liberar o sigilo dos acordos. Entretanto, apesar de decidir pela homologação, o GGN mostrou que não cabia à ministra a decisão sem que, antes, o procurador-geral solicitasse.
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Análises de diversos meios mostravam que Janot iria, a qualquer momento, pedir a abertura do sigilo. A lógica se sustentava no posicionamento defendido pelo procurador-geral e pela equipe completa do Ministério Público Federal na Lava Jato, na tese então rigorosamente velada de que a liberação é princípio da transparência e a sua divulgação pelos meios noticiosos fazia parte da democracia e da garantia pública na fiscalização dos poderes.
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O discurso foi defendido em boa parte dos despachos assinados pelo juiz Sérgio Moro, desde o início da Lava Jato, o que sustentou arbitrariedades como, por exemplo, o vazamento da interceptação telefônica entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, em 2016. A tese também foi amplamente sustentada pelo procurador que coordena a equipe do Paraná, Deltan Dallagnol e seu colega, Carlos Fernando dos Santos Lima, em coletivas de imprensa e entrevistas cedidas ao longo desses tempos.
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Surpreendentemente, a tese começou a apresentar modificações nos últimos dias. Desde a remessa dos autos da Lava Jato ao novo relator, Edson Fachin, e a nomeação de Alexandre de Moraes para ocupar a cadeira vaga no Supremo – vista como clara tentativa do presidente Michel Temer de proteger seus pares em decisões da última instância -, tanto os mesmos procuradores, quanto a imprensa endossaram a possibilidade de viabilidade do sigilo.
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Gilmar Mendes foi o propulsor dessa mudança dentro da Corte. Foi ele que se manifestou contra supostos abusos cometidos por Sérgio Moro na Lava Jato, como o tempo de prisão determinado pelo magistrado de Curitiba, imediatamente após as delações da Odebrecht darem conta de acusações contra peemedebistas e a base do governo. Também foi Gilmar que conversou com Temer e deu a ele amplo apoio à indicação de Alexandre de Moraes.
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Em seguida, um dos coordenadores da equipe de procuradores de Curitiba, que como porta-voz da Lava Jato mostrava salvaguarda das teses de Sérgio Moro, em sua última entrevista mostrou uma inversão de defesas. Carlos Fernando disse que tirar o sigilo das delações premiadas “não é o ideal”. Ciente de que a posição é contrária a todas já defendidas até o momento pela Lava Jato, preferiu deixar a palavra os ministros do STF, afirmando que a decisão, seja ela qual for, não é dele, e sim da Suprema Corte.
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Mas destacou que a abertura das informações dos acordos “não é o ideal para as investigações, porque possibilitam a destruição de provas”. Neste caso da Odebrecht, fez a ressalva: de que “talvez” seja “até melhor” levantar o sigilo, justificando que os próprios políticos estão dando tiros no pé, porque “não sabem se estão na lista e estão reagindo excessivamente, e pode ser que eles não estejam lá”.
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Ainda em dezembro, quando defendia a urgências das homologações, Janot também havia se encontrado com parlamentares governistas, senadores do PSDB, PMDB e PR, e, após pressão, manifestado a eles o desejo de retirada do segredo. Dois meses depois, novamente pressionado, mas desta vez por parlamentares da oposição, Janot disse que pedirá a abertura “parcial” do sigilo.
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Foi na última terça-feira (07) que o procurador-geral da República foi questionado pelos senadores João Capiberibe (PSB-AP), Lídice da Mata (PSB-BA), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Respondeu que irá solicitar o levantamento de “parte” das delações.
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Em precaução antes não adotada pelos investigadores da Lava Jato, a justificativa da PGR foi de que os conteúdo liberados serão aqueles em que a publicidade das denúncias não atrapalharem o andamento das investigações. Citou como exemplo hipotético o de que se contiver dados bancários, a acusação do delator não será divulgada.
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Enquanto isso, para endossar a lealdade aos posicionamentos da Lava Jato, os jornais não cobram a abertura total dos depoimentos à opinião pública, e dedicam espaços e manchetes a requentar acusações já antigas, como a do triplex do Guarujá, relacionada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e contra o já condenado Marcelo Odebrecht.
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Advogados e juristas pedem investigação contra delegado da Lava Jato

seg, 13/02/2017 – 17:19
Atualizado em 13/02/2017 – 17:19
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Jornal GGN – A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, investigue abuso de autoridade pelo delegado Igor Romário de Paula, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato, que em entrevista disse que o “timing para prender Lula pode surgir em 30 ou 60 dias”.
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De acordo com os advogados Valmir Batista, Cristiano Zanin Martins e outros seis juristas, é “inaceitável violação de direitos constitucionais do ex-Presidente pelo delegado-chefe da Operação Lava Jato, comportamento que fere a ética e responsabilidade institucional da Polícia Federal”.
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Na entrevista concedida ao Uol, publicada no dia 27 de janeiro, o delegado admitiu estar prestes a concluir dois dos inquéritos contra Lula e que em no máximo um ou dois meses o ex-presidente seria preso pela Operação Lava Jato.
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Ao ser questionado se os investigadores já haviam “pedido o timing” para a prisão, considerando as investigações e os mandados já expedidos, como a condução coercitiva, em março do último ano, e as seguidas buscas e apreensões, o delegado respondeu que não e que esse tempo limite “pode ser daqui a 30 dias, daqui a 60 dias”.
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Na mesma entrevista, o delegado criticou os procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba por fecharem o acordo de delação com os 77 executivos e ex-funcionários da Odebrecht sem a presença da Polícia Federal. Afirmou que, com relação a isso, “é bem provável que haja a necessidade de um recall no caso da Odebrecht”.
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Os advogados e juristas que assinaram o pedido de investigação na PGR contra Igor Romário de Paula lembraram que o investigador ignorou, ainda, o estado de saúde de dona Marisa, concedendo tal entrevista durante um quadro frágil de saúde da ex-primeira-dama.
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“O arroubo midiático do delegado ignorou o estado de D. Marisa Letícia, em coma após o AVC que sofreu, um total desrespeito à sua condição. Registra-se que esse é mais um de vários abusos cometidos pela Operação contra Lula e seus familiares”, afirmaram.
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Na petição, ainda destacam que o mesmo delegado foi o que realizou campanha para o então candidato da oposição, Aécio Neves (PSDB), contra a então presidente Dilma Rousseff, o que explicita “posição partidária contrária a do ex-Presidente”.
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Assinaram o documento Zanin Martins, Valmir Batista, além dos juristas Lenio Luiz Streck, Celso Antonio Bandeira de Mello, da professora de Direito Weida Zancaner, o professor Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, o pesquisador Paulo Petri, e o procurador aposentado Jacques Alfonsin.
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Coain/GOGER/DPF em Curitiba: o temor da Lava Jato

Publicado por Marcelo Auler em 13 de fevereiro de 2017

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 Mosaico dos envolvidos

Marcelo Auler

Na sexta-feira (10/02), com bastante atraso, o delegado da Polícia Federal Marcio Magno Xavier, da Coordenadoria de Assuntos Internos (Coain) da Corregedoria Geral do Departamento de Polícia Federal (COGER/DPF), desembarcou em Curitiba. Levou na bagagem o Inquérito Policial (IPL) 01/2017 que, como o número demonstra, foi instaurado no início deste ano. Magno, na única vez que atendeu ao Blog, por telefone, se recusou a falar qualquer coisa sobre os trabalhos que vem realizando. Apesar disso, sabe-se que, a depender dele, a ingrata missão que cumprirá nos próximos dias teria acontecido no ano passado. Pelo que o Blog apurou, foi barrado por seus superiores.

A partir desta segunda-feira (13/02), Magno ouvirá e indiciará criminalmente agentes e delegados da Operação Lava Jato envolvidos na instalação de um grampo, sem autorização judicial, na cela de Alberto Youssef. O fato ocorreu na custódia da Superintendência Regional do DPF no Paraná (SR/DPF/PR), no dia em que o doleiro foi preso, 17 de março de 2014, início da primeira fase da Operação. A escuta foi descoberta por Youssef no dia 30 do mesmo mês e levada ao conhecimento do juiz Sérgio Moro – que garantiu não tê-la autorizado – no início de abril.

Uma primeira sindicância (04/2014) concluiu que o grampo não estava ativo. Mas, em 4 de maio de 2015, em depoimento ao delegado Mario Renato Castanheira Fanton, o agente de polícia federal Dalmey Fernando Werlang confessou ter instalado, a mando dos seus superiores, não apenas a escuta na cela, como outra no fumódromo da Superintendência. Apesar disso e decorridos quase três anos da instalação do grampo ilegal na custódia d quase dois da confissão de um dos autores, até hoje ninguém foi punido. Antes pelo contrário, sempre que cobrados, polícia, ministério público e juízo evitaram falar do assunto.

A presença de Magno em Curitiba, segundo apurou o Blog, atemoriza muita gente. Curiosamente, ele não encontrará por lá a delegada Erika Mialink Marena, atualmente em Florianópolis (SC), e seu colega Marcio Anselmo Adriano, em missão em Vitória (ES). Os dois faziam parte da cúpula da Força Tarefa da Lava Jato no DPF que está diretamente envolvida ao episódio criminoso. Não à toa que, em março de 2016, Erika, Márcio Anselmo e o também DPF Igor Romário de Paulo recorreram à Justiça Federal de Curitiba para terem acesso à Sindicância 04/2015, presidida pelo delegado Alfredo Junqueira, da Coain. Nesta ação, os três principais delegados da Força Tarefa reclamaram daquilo que costumam fazer com os alvos da chamada maior investigação contra a corrupção no  país: o sigilo nos inquéritos, sem que as defesas dos suspeitos tenham acesso ao que está sendo levantado. Consta da inicial da ação por eles ajuizada:

(Os autores) “foram ouvidos na condição de investigados em termo de declarações ao longo do ano de 2015 pelo Delegado ALFREDO JUNQUEIRA. Assim sendo, resta evidente que a natureza singular do procedimento instaurado versa, exatamente, sobre a responsabilidade dos autores quanto à instalação da escuta sem ordem judicial, podendo, inclusive, recair penas administrativas aos mesmos. Contudo, após suas oitivas, o presidente da Sindicância em curso negou aos autores o devido acesso aos autos, argumentando, oralmente, que, devido à visibilidade da causa e a pressão que comumente sofre em casos tais, iria fornecer as cópias somente após a prolação de relatório final. Ou seja, sequer deferiu aos então investigados o direito de apresentarem as defesas necessárias de sorte a colaborar ao entendimento do sindicante.“

Das intenções profissionais do DPF Magno, quem o conhece e à sua trajetória, não levanta qualquer suspeita. Mas, a dúvida surge quando se sabe que ao longo destes quase três anos de Força Tarefa da Lava Jato a cúpula do DPF, com o diretor-geral Leandro Daiello Coimbra  e o corregedor-geral, Roberto Mário da Cunha Cordeiro, à frente, jamais tomou providências concretas a partir da sindicância feita por Junqueira, que é tido entre os colegas  como “O Ético”.

Em 12 de novembro de 2015 o corregedor do DPF anunciou que a finalização da sindicância seria remetida ao juízo até o final daquele mês..Nada aconteceu e , ao que se saiba, nada foi cobrado.

Antes pelo contrário. Além da confissão de Dalmey, em outubro de 2015 soube-se, como noticiamos em Surgem os áudios da cela do Youssef: são mais de 100 horas, que a perícia do DPF recuperou as conversas captadas entre Youssef e seus companheiros de cela. A informação foi dada, à época, pelo deputado federal Aluísio Mendes Guimarães (PSDC-MA), agente de polícia federal licenciado e um dos parlamentares mais ativos na CPI da Petrobras.

Estranhamente, porém, nem o juiz Sérgio Moro, tampouco os procuradores da República – os quais se orgulham de constitucionalmente serem os fiscais da lei – da Força Tarefa da Lava Jato se empenharam em saber o que continham as gravações. Ou, se o fizeram, jamais tornaram esse conteúdo público. Sabem que a confirmação do grampo levantaria suspeita sobre a regularidade do início das investigações da Lava Jato.

Moro, inclusive, relutou em atender a defesa de um dos diretores da Odebrecht que pediu sua cobrança de explicações à Corregedoria do DPF. Enviado o pedido, na resposta do delegado Cordeiro surgiu a promessa jamais cumprida – assim como, jamais, oficialmente, cobrada pelo juízo – de apresentar o resultado da investigação até o final daquele mês de novembro. Como mostra o ofício ao lado, por nós divulgado em 21 de novembro de 2015: Grampo da Lava Jato: aproxima-se a hora da verdade.

Sérgio Moro relutou em cobrar da Corregedoria do DPF o resultado da sindicância., Foto Ajufe

Sérgio Moro relutou em cobrar da Corregedoria do DPF o resultado da sindicância., Foto Ajufe

 

Por que do IPL? – Apesar da promessa do corregedor, jamais se soube publicamente – o que não o impede de ter se explicado ao juízo – o motivo da demora. No entanto, o que se conseguiu saber é que mesmo com a sindicância finalizada e encaminhada ao MPF e ao juízo, nenhuma providência foi tomada oficialmente. Por isso, a decisão de se instaurar um inquérito, no início de 2017, causa estranheza.

Mais ainda quando se recorda que o segundo grampo instalado ilegalmente no chamado fumódromo da SR/DPF/PR, que o agente Werlang disse ter colocado por ordem da chefe do Núcleo de Inteligência Policial (NIP), a delegada Daniele Gossenheimer Rodrigues – esposa do DPF Igor – ainda que possa ser considerado crime, jamais resultou em inquérito. Gerou apenas um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), com a suspensão temporária dos dois.

Mas, levando-se em conta que o governo que assumiu com o golpe do impeachment e vem dando cargos e foro privilegiado aos “deletados” e investigados pelos muitos “filhotes” que a Lava Jato gerou, as peças podem se encaixar. Demonstram que dentro do DPF também  jogam no sentido de esvaziar a Operação depois dela ter impulsionado a derrubada de um governo legitimamente eleito, provocado a derrocada de um partido político (PT) e até mesmo contribuído, ainda que indiretamente, com o AVC que vitimou Marisa Letícia Lula da Silva.

Essa movimentação, frise-se, acontece justamente quando surgem nas delações os nomes dos peemedebistas que se aboletaram no Palácio do Planalto com o golpe do impeachment, e também os de diversos tucanos, em uma demonstração de que a corrupção que todos atribuíam exclusivamente aos petistas não se iniciou com eles. Afinal, o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deixou isso claro, como expusemos em FHC diz a Moro, tal como Lula tem dito, que “não sabia”, ao depor, na quinta-feira (09/02) perante o juiz Moro e falar sobre delações que indicam corrupção na Petrobras  na sua gestão:

“Pode ter havido. O presidente da República não sabe tudo o que acontece”.

No entendimento de uma das boas fontes do Blog, a mudança de posição do DPF autorizando a instauração do IPL 01/2017, mostra apenas que no atual governo o jogo é praticado por quem conhece bem o terreno onde pisa, ao contrário do governo de Dilma Rousseff, cujos ministros da Justiça – tanto José Eduardo Cardoso, como Eugênio Aragão, ainda que por motivos diversos e talvez justificáveis – jamais cobraram para valer um posicionamento do mesmo Daiello;

“Eles estão esvaziando a Lava Jato por dentro e pegando os delegados que a tocaram e agindo com terror contra eles, para não ousarem abrir o bico. Esses policiais deram uma de espertalhões só que se meteram com espertalhões mais ousados do que eles”.

O diretor-gerasl do DPF, Leandro Daiello, acabou ganhando o manto protetor costurado pela Força Tarefa da Lava Jato - Foto: reprodução

O diretor-gerasl do DPF, Leandro Daiello, acabou ganhando o manto protetor costurado pela Força Tarefa da Lava Jato – Foto: reprodução

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Envolvimento de muitos – Daiello, como já alertamos anteriormente, beneficiou-se da Operação Lava Jato para permanecer no cargo durante o governo petista. Ninguém ouso mexer com ele para não provocar a ira de parte da população que, bem manipulada pela mídia tradicional – ou familiar, como preferem alguns – endeusou rapidamente Moro e a Força Tarefa da Lava Jato. Atualmente, ele pode estar se beneficiando do trabalho profissional dos delegados Junqueira e Magno com outros objetivos. Dentro do DPF cresce o movimento pela sua substituição. Da mesma forma, ali muitos sabem que seu sonho dourado é se tornar adido policial no exterior, preferencialmente em um dos países da União Europeia. Com Aragão, ele quase foi mandado para a embaixada brasileira em Lisboa.

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Apesar de apenas três delegados terem impetrado a Ação de Conhecimento para acesso à Sindicância 04/2015, o número de possíveis envolvidos no IPL 01/2017 é maior. Uma primeira sindicância  – 04/2014 -, presidida pelo delegado Mauricio Moscardi Grillo, também de Curitiba, concluiu que o grampo estava inativo, como dissemos acima. Mas o trabalho de Moscardi jamais mereceu crédito por muitos policiais, como o Blog informa desde a primeira matéria a respeito, em agosto de 2015: Lava Jato revolve lamaçal na PF-PR.

Na Ação de Conhecimento (lei a íntegra abaixo) os três delegados admitem terem sido ouvidos como suspeitos. Da mesma forma como ocorreu com Werlang – o primeiro que Magno ouvirá nessa segunda-feira. Mas, há mais delegados envolvidos. A começar pelo superintendente regional, Rosalvo Ferreira Franco que, como consta da confissão de Werlang (cuja íntegra está na matéria Lava Jato revolve lamaçal na PF-PR) acompanhava Igor de Paulo e Márcio Adriano, quando estes lhes deram a ordem de instalação do grampo.

Como a reportagem mostrou, o aparelho instalado na cela de Alberto Youssef gravou mais de 100 horas de conversas desmentindo a sindicância presidida por Moscardi

Como a reportagem – “Surgem os áudios da cela do Youssef:…” – mostrou, o aparelho instalado na cela de Youssef gravou mais de 100 horas de conversas desmentindo a sindicância presidida por Moscardi

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Esta conversa também foi assistida pelo agente de Polícia Federal André Luiz Zanotto, na época respondendo pelo NIP, por conta de uma licença de saúde da delegada Daniele. Ele também não se opôs à ilegalidade. Verdade que tanto Werlang como Zanotto podem alegar que não era hábito questionarem a autorização judicial ao receberem ordens de instalação de escuta. Confiavam na chefia. Damey só foi saber que aquele grampo era ilegal quando Youssef o descobriu. Mas os dois, Werlang e Zanotto, prestaram falso testemunho na Sindicância comandada por Moscardi. Como de resto, todos os que o delegado ouviu, incluindo o agente Paulo Romildo, o “Bolacha” que na função de carcereiro retirou os presos das celas para que não testemunhassem a instalação indevida.

Werlang ainda preparou um laudo alegando que o aparelho que Youssef retirou do foro da cela e lhe foi repassado para uma análise técnica, não estava em condições de uso. Uma meia verdade. Não estava em condições do jeito em que recebeu (sem fonte de energia, e com outros pequenos defeitos), mas enquanto instalado, captava todas as conversas.

O próprio Moscardi, provavelmente, sabia que o grampo existiu e era ilegal. Afinal, ao alegar que aquela escuta deveria ser da época em que o traficante Fernandinho Beira-Mar esteve na custódia, esbarrou em uma questão técnica: o aparelho instalado na cela do doleiro só chegou a Curitiba, como mostram documentos da Diretoria de Inteligência Policial (DIP) do DPF, em Brasília, após o retorno do traficante para o presídio de Campo Grande (MS).

Já a delegada Érika, se o presidente do inquérito seguir a lei ao pé da letra, responderá como coautora do crime pois, segundo o que disse Werlang, era quem, juntamente com Márcio Anselmo, recebia os áudios da escuta ilegal para usar, ainda que informalmente, as conversas gravadas nas apurações da Operação Lava Jato. Lembre-se aqui o que Antônio Augusto Lopes Figueiredo Bastos, advogado do doleiro admitiu. Youssef teve fortes indícios de que suas conversas na custódia com os outros presos chegavam ao conhecimento dos delegados:

“Tivemos alguns indícios disso sim, Houve indícios, isso não tem dúvida. Mas, não em interrogatórios. Em conversas assim…  que não tem como serem recuperadas. Eles nunca interrogaram diretamente sobre isso, mas os assuntos acabavam sendo abordados pelos delegados”, explicou, ao ser ouvido, em junho de 2015, como conta da reportagem Lava Jato revolve lamaçal na PF-PR.

Curioso é que diante de todas estas evidências que devem levar ao indiciamento dos delegados da Lava Jato, Márcio Anselmo esteja cogitando de ser corregedor da Superintendência do DPF no Espírito Santo, hoje comandada pelo delegado Luciano Flores de Lima.

O DPF Luciano Flores ouviu a recusa de Lula em acompanha-lo  e falou que o levaria coercitivamente, Foto - Reprodução TV Globo

O DPF Luciano Flores que levou coercitivamente Lula para depor e manteve a gravação ilegal da conversa do ex-presidente com a presidente Dilma Rousseff, hoje é superintendente do DPF no Espírito Santo e quer levar Márcio Anselmo como Corregedor. Foto – Reprodução TV Globo

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Para quem não se recorda, ele, embora lotado no Rio Grande do Sul, atuou na Lava Jato em Curitiba – fazendo jus a diárias – e foi o responsável  pela gravação ilegal da conversa telefônica entre Lula e a presidente Dilma Rousseff, em março do ano passado, conforme noticiamos em Explicações para grampo de Lula e Dilma são sofismas, como também pela condução coercitiva de Lula para depor. Na citada reportagem afirmamos:

“Ele (o grampo) foi feito 1 hora e 48 minutos após o delegado da PF Luciano Flores de Lima ter sido comunicado, pela secretária da 13ª Vara Federal, às 11h44min, da decisão do juiz suspendendo o grampo. A conversa telefônica de Dilma e Lula ocorreu às 13h32min. O delegado poderia ter evitado a gravação. mas não o fez”.
A nomeação de Marcio Anselmo para corregedor, caso realmente ocorra como anda falando jornalistas próximos aos delegados da Lava Jato, poderá criar u grande constrangimento para o DPF. Afinal, ele ficará responsável por fiscalizar e avalizar o cumprimento das leis e das normas dos policiais federais no Espírito Santo, apesar de investigado em, pelo menos, dois Inquéritos. Além do caso do grampo na cela do Youssef, o mesmo delegado Magno preside outra investigação que esbarrará no mesmo Marcio Anselmo.
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Trata-se de um inquérito, ajuizado em São Paulo, que investiga as denúncias que a ex-contadora de Youssef , Meire Poza, fez ao procurador regional da República, Osório Barbosa, em junho de 2016, como noticiamos em Enfim, a contadora e informante infiltrada da Lava Jato foi ouvida oficialmente. Se levado a sério, como é o costume do delegado Magno segundo tudo o que ouvimos a respeito do seu trabalho, será mais uma dor de cabeça não apenas para o delegado Márcio Anselmo, mas para muitos da Força Tarefa, inclusive procuradores da República. Mas isso, só o tempo dirá, pois dependerá muito dos rumos que a direção do DPF e do governo de Michel Temer tomarão.

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