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Moro vazou informações de inquérito sob sigilo que investiga laranjas do PSL para Bolsonaro, que além de revelar publicamente que obteve acesso a dados sigilosos investigados pela PF, disse que determinou a Moro o que deve ser investigado

Estado policial: Moro passou inquéritos sigilosos para Bolsonaro

Por mais graves que sejam as revelações de Veja, a notícia mais comprometedora sobre Sérgio Moro vem de uma nota do repórter Rubens Valente, publicada na Folha online (aqui).

Nela, Valente recupera parte da fala de uma entrevista coletiva de Jair Bolsonaro no Japão.

Na entrevista, diz Bolsonaro:

“Ele [Moro] mandou a cópia do que foi investigado pela Polícia Federal pra mim. Mandei um assessor meu ler porque eu não tive tempo de ler”.

Como lembra Valente, a investigação tramita sob segredo na 26ª Zona Eleitoral de Minas Gerais.

Não ficou nisso. Confirmando as suspeitas de que Moro tentaria implantar um estado policial, isto é, a serviço do governo, Bolsonaro avisa que determinou a Moro, para que determine à Polícia Federal investigar todos os partidos (aqui).

Valente relembra a missão da PF, os valores propagados nos últimos trinta anos, visando criar uma força republicana: “uma PF que não esteja à mercê dos rancores do presidente e do ministro de plantão. Um órgão que investigue fatos e não pessoas”.

Por menos que isso, Antonio Pallocci caiu, depois de quebrar o sigilo da conta do caseiro. Aliás, Moro confirma não apenas sua falta de escrúpulos, mas mostra-se um sem-noção completo.

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Moro vaza investigação sobre o PSL a Bolsonaro, que coage outros partidos

“É um sinal preocupante de debilidade das instituições”, escreveu Rubens Valente em sua coluna para a Folha de S.Paulo

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – Uma investigação da Polícia Federal sobre os laranjas do partido de Jair Bolsonaro, o PSL, nas eleições 2018, foi vazada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, ao próprio mandatário. E o mandatário, por sua vez, anunciou isso publicamente. “É um sinal preocupante de debilidade das instituições”, escreveu Rubens Valente.

No ultimo dia 28, Bolsonaro disse em uma entrevista coletiva no Japão: “Ele [Sergio Moro] mandou a copia do que foi investigado pela Polícia Federal pra mim. Mandei um assessor meu ler porque eu não tive tempo de ler”.

O caso é uma investigação não somente que envolve diretamente o partido do presidente nas eleições, como também tramita em segredo de Justiça na 26a. Zona Eleitoral de Minas Gerais. Como ministro da Justiça e nada menos do que chefe da Policia Federal, Moro teve acesso às investigações e vazou a Bolsonaro.

Além da própria circunstância ilegal de abrir a investigação ao presidente, a resposta de Bolsonaro ao caso foi ainda pior: ele decidiu “determinar” a Moro que ordene aos policiais que “investiguem todos os partidos”, quase como uma coação aos próprios investigadores por estarem apurando ilegalidades do PSL, e também em ameaça a outros partidos que não estão envolvidos.

“Tem que valer para todo mundo, não ficar fazendo pressão em cima do PSL para tentar me atingir”, assim justificou Jair Bolsonaro.

Como consequência, as declarações do mandatário deveriam “assustar” o órgão de investigação, que ao longo dos últimos 30 anos teve o apoio de governos anteriores para que a instituição alcançasse a completa autonomia, dissociada de Ministérios ou governos.

“Bolsonaro se elegeu agitando a bandeira ‘da lei e da ordem’, o que pressupõe pelo menos respeito aos órgãos investigativos. Agora faz o contrário: acessa e fala sobre um caso sob segredo e humilha investigadores em praça pública ao ditar como devem se comportar, como se eles não soubessem seu papel. Ele também tem seguidamente atacado a PF por discordar, sem provas, das conclusões do caso Adélio”, pontuou Valente em sua coluna para a Folha de S.Paulo.

“Os órgãos de controle da União ou não ouviram o que Bolsonaro disse no Japão ou ouviram e silenciaram. Nos dois modos temos instituições cegas para o Alex Jones que ora ocupa a Presidência. Ele exerce abertamente a ousadia dos impunes a fim de obter dados sigilosos e determinar o que deve ser investigado no país. Isso é que é Estado policial”, concluiu.

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