Os trabalhadores do transporte coletivo da empresa São Jorge Auto Ônibus Ltda, concessionária do transporte na cidade de Ponte Nova decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir do dia 22 de maio de 2017, próxima segunda-feira.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Ponte Nova – STTRPN, os trabalhadores decidiram pela greve em assembleia no último de 18 de maio, uma vez que ainda não receberam a reposição inflacionária prevista para fevereiro de 2017, data base do reajuste salarial da categoria.

Os trabalhadores reivindicam da empresa 15% (quinze por cento) de aumento salarial, retroativo ao mês de fevereiro/2017 e permanecerão na porta da garagem da empresa a partir das 2 horas do dia 22/05, (segunda-feira), sem sair com os ônibus da garagem.

De acordo com o sindicato, apenas os veículos fretados para transporte de trabalhadores e os que atendem cidades da microrregião de Ponte Nova circularão. O Sindicato vem negociando com a empresa desde fevereiro, mais como ainda não obteve resposta as reivindicações, convocou assembleia da categoria para o dia 18 último, quando então os trabalhadores decidiram pela greve a partir do dia 22/05. Os dirigentes sindicais discursaram informando que os trabalhadores não tem nada a ver com as negociações entre a empresa e o Município: “Somos empregados e estamos com nossos salários sem o reajuste que temos direito para repor as perdas inflacionárias”, explicou Virgílio, vice-presidente sindical.

JUSTIFICATIVA DA EMPRESA É QUE A PREFEITURA NÃO DEU RESPOSTA AINDA AO PEDIDO DA EMPRESA DE REEQUILÍBRIO DA TARIFA DE TRANSPORTE COLETIVO

Segundo o próprio sindicato, o diretor geral da empresa São Jorge Auto Ônibus, Sr. José Flávio Andrade, informou que é impossível a empresa decidir o índice de reajuste salarial e conceder qualquer valor enquanto a Prefeitura Municipal de Ponte Nova não definir e autorizar o reequilíbrio financeiro da empresa através do concessão do reajuste da tarifa de transporte coletivo, conforme previsto no contrato de concessão do serviço de transporte.

A empresa alega que também protocolou o pedido junto a prefeitura a alguns meses e que até o momento ainda não obteve aprovação da Prefeitura. E somente após aprovação da planilha apresentada pela empresa ao Município seria possível a São Jorge definir o índice de reajuste salarial dos trabalhadores do serviço de transporte coletivo, que consta da planilha pendente de aprovação pela Prefeitura.

ENTENDA

A tarifa de transporte coletivo hoje na cidade de Ponte Nova é de R$ 2,50 (dois reais e cinquenta centavos). Este valor está em vigor desde 2015, data do último reajuste. O contrato de concessão do transporte coletivo prevê reequilíbrio financeiro da empresa, através de reajuste da tarifa, sempre que os preços que compõem a planilha de apuração dos custos do transporte ficar deficitária.

Segundo informações publicadas no Jornal Folha de Ponte Nova na semana passada – edição de 12 de maio, a empresa apresentou a Prefeitura ainda no mês de fevereiro, 3 planilhas  de custos do transporte coletivo da cidade, sendo que cada uma delas reflete uma situação diferente de preço da passagem. Assim, cabe ao Município optar por um dos cenários de definição da tarifa, sendo que um deles prevê uma tarifa menor com a manutenção da frota atual, em outro a tarifa com previsão de renovação da frota de veículos, com aquisição de ônibus novos e em outro cenário, a manutenção ou não de subsídio a tarifa do transporte coletivo.

Segundo o Jornal, “a Comissão Tarifária do município está estudando os documentos apresentados e deliberará depois de profundo estudo do tema.”

CÂMARA DE VEREADORES

Ainda de acordo com a Folha de Ponte Nova, ao discursar em 08/05 na sessão do legislativo, o presidente da Câmara Leo Moreira se manifestou dizendo ser contra a manutenção do subsídio ao transporte coletivo municipal, pois “é alto e poderia ser usado na saúde ou na educação”.

O subsídio concedido a São Jorge mensalmente é de cerca de R$ 90 mil reais e foi estabelecido por Lei em 2013, como forma de manter congelado naquele ano o preço da passagem. Este valor do subsídio cobre parte do custo do transporte de passageiros que usam o transporte coletivo gratuitamente (idosos, pessoas com necessidades especiais, servidores públicos em serviço, etc).

Sem o subsídio, o custo das passagens das pessoas que não pagam pelo uso do transporte passa a ser rateado entre os passageiros que pagam a tarifa para uso do coletivo e pode representar aumento significativo da passagem.

Anexo, cópia dos ofícios com pauta da categoria e comunicado de estado de greve, assinados pelo presidente do Sindicato, Sr. Ubiracy Martins Soares.

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  • Com informações de Virgílio Pereira, vice-presidente do Sindicato.

 

Notícia relacionada – atualizada 22/05 – 19:30 h