Lauro Jardim: Delação de Palocci só sai se tiver Lula e BTG Pactual

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Jornal GGN – O jornalista Lauro Jardim publicou, neste domingo (4), que na negociação de delação de Antonio Palocci com a Lava Jato, a força-tarefa fez uma exigência: é preciso citar Lula e o BTG Pactual, de Andre Esteves.
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“O MPF [Ministério Público Federal] fez um pedido explícito: que o ex-ministro fale sobre o BTG Pactual e Lula. Na delação, há anexos sobre a Caoa, Cosan, BVA e o Carf”, afirmou. Palocci teria prometido contar esquemas de compra de Medidas Provisórias envolvendo Esteves.
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Em depoimento a Sergio Moro, Palocci indicou que teria informações sobre empresários e pessoas que atuam no mercado financeiro que podem rendem um novo braço de investigação para a Lava Jato. Na semana passada, Folha publicou que além disso, Palocci teria dado sinais a investigadores de que está disposto a falar de Lula, especialmente da criação da Sete Brasil.
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Andre Esteves chegou a ser preso pela Lava Jato na mesma operação que derrubou o senador cassado Delcídio do Amaral. O banqueiro revelou ter acesso a documentos sigilosos da operação e foi acusado por Delcídio de aceitar dar dinheiro para evitar uma delação de Nestor Cerveró. Ele conseguiu um habeas corpus e está em liberdade.
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Ainda segundo Lauro Jardim, “enquanto Antonio Palocci negocia delação, seu irmão Adhemar (ex-diretor da Eletronorte) tem, com toda discrição possível, procurado alguns grandes empresários para conversar.”
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Comentário

Qualquer tipo de

Qualquer tipo de condicionante descaracteriza o instituto da delação premiada. E por uma razão simples: ao fazê-lo, o aparato de repressão induz o que deveria ser um processo espontâneo. De certa maneira, o Ministério Público infringe um dos princípios basilares do Estado de Direito que é a presunção da inocência. Se impõe nomes para serem delatados isso significa que já os considera culpados.

Isso por sua vez leva a outro absurdo: se o MP tem tanta convicção assim da culpabilidade dos potenciais deletados por que ele próprio, contando com a ajuda da Polícia Judiciária, nem busca os elementos materiais para corroborá-la, ficando a depender de um delator desesperado para se safar de uma condenação?

No caso específico, o alvo é o ex-presidente Lula, cidadão cuja vida foi revirada ao avesso sem que se tenha encontrado nada, absolutamente nada. O que Palocci teria, então, para delatar que potencialmente não fosse de conhecimento do aparato repressivo?

Resta então a triste conclusão: mais uma farsa a despontar. O mais do mesmo: delata conversas sem testemunhos de terceiros nem registros materiais; ilações; suposições; e por aí vai. Tudo muito adequado para gerar manchetes escandalosas, e o Ministério Público, através de seus imberbes e deslumbrados membros, saírem por aí com seus discursos moralistas-hipócritas ilustrados por power-points elaborados por estagiários entendiados.