Estudo mostra que 100 milhões não comem mais na rua

Opção pela marmita no trabalho gera economia que chega a R$ 200 por mês

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Foto – Gasto menor. Jornalista Graziela Faria pretende trocar de carro com economia feita com a marmita
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PUBLICADO EM 08/06/17 – 03h00
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Com menos dinheiro, o brasileiro esta deixando de comer fora de casa. Segundo pesquisa da consultoria GS&MD, 3,5 bilhões de refeições foram feitas em restaurantes e lanchonetes no país – 100 milhões a menos que no primeiro trimestre de 2016. “O emprego e a renda têm impacto importante nessa redução, o consumidor está adotando um comportamento mais racional”, avalia o diretor de inteligência de mercado da GS&MD, Eduardo Yamashita.
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Para o diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais, (Abrasel), Lucas Pêgo, a queda se dá por causa da crise financeira. Ele afirma que três em cada cinco restaurantes de Belo Horizonte operam no vermelho. “Isso é um reflexo da diminuição do poder de consumo”, afirma.
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Segundo a Abrasel, as lojas com um valor médio gasto por cliente de menos de R$ 15 apresentaram um crescimento de 5% a 15% no faturamento na comparação com o ano passado. Já bares e restaurantes onde a cifra varia de R$ 25 a R$ 70 a retração foi de até 30%. “Os clientes que não deixaram de frequentar os bares e restaurantes, mas diminuíram o consumo”, explica Pêgo.
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O proprietário da rede de restaurantes Paracone, Lindoval Comegundes, diz que o movimento no restaurante caiu 10% em maio em relação a abril. “As pessoas estão evitando comer fora, não tem emprego nem dinheiro, estamos sentindo essa retração”, disse. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pela Fundação Ipead, em maio, comer fora de casa estava 30,8% mais caro que a inflação do mesmo período na capital mineira.
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Há 5 anos, a jornalista Graziela Faria, 32, deixou de comer em restaurantes e passou a levar marmita para o trabalho. “Passei a economizar R$ 200 por mês. Hoje canalizo esta economia na troca do meu carro”, conta.
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Há 12 anos, o geógrafo Renato Matos Mendonça Ribeiro, 28, deixa de comer em restaurante e leva a comida de casa. “Sempre foi com o objetivo de economizar. Desde os 16 anos ando com marmita. Economizo cerca de R$ 200 por mês”, explica.

Procura por “combos” em restaurantes aumenta no país

A preferência dos brasileiros pelas promoções ou “combos” quando comem fora de casa cresceu no primeiro trimestre de 2017. Segundo pesquisa da consultoria GS&MD, nesse período, 34% dos entrevistados preferiam a promoção quando iam ao restaurante. No primeiro trimestre de 2016, eram 32%.
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“O brasileiro tem racionalizado seu consumo, buscando promoções. É claro que o estabelecimento vai oferecer mais coisas para o cliente, mas o tíquete médio aumenta”, diz Eduardo Yamashita, diretor de inteligência de Mercado da GS&MD. No período, o tíquete médio das refeições promocionais ficou em R$ 16,22, contra R$ 13,80 no geral.