Novo tratamento leva pacientes com câncer incurável à remissão

De 35 pessoas com mieloma múltiplo, 33 não indicaram sinais da doença

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Ciência. Pesquisas mundo afora sobre imunoterapia contra tumores malignos têm mostrado resultados interessantes
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PUBLICADO EM 12/06/17 – 03h00
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CHICAGO, EUA. Uma pesquisa promissora apresentou uma taxa de resposta “sem precedentes” em pacientes com mieloma múltiplo – um tipo de câncer no sangue ainda sem cura, que pode danificar os ossos, o sistema imunológico, os rins e a contagem de glóbulos vermelhos. Os dados foram divulgados na semana passada durante a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica 2017 (Asco), em Chicago, nos EUA, e publicados no “Journal of Clinical Oncology”.
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Na pesquisa, 33 dos 35 pacientes com esse tipo de câncer que participaram da experiência apresentaram remissão da doença – quando não há sinais dela – apenas dois meses depois de começarem uma terapia com células T, que são as responsáveis pelo sistema imunológico.
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Sendo uma técnica de imunoterapia, os cientistas retiraram células T dos próprios pacientes. Elas foram modificadas em laboratório com os chamados “Receptores Quiméricos de Antígeno” (“CARs”, em inglês) e injetadas novamente nos participantes. Os primeiros resultados já começaram dez dias após esse processo. E a maioria dos pacientes teve efeitos colaterais mínimos.
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Sucesso. Ao tomarem conhecimento da notícia, especialistas destacaram que, apesar de o número de pacientes no estudo ser pequeno, é raro que qualquer tratamento contra o câncer tenha tamanho sucesso.
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“Ainda é cedo, mas esses dados são um forte sinal de que a terapia pode colocar o mieloma múltiplo em remissão”, acredita o oncologista Michael S. Sabel, da Universidade de Michigan. “É raro ver taxas de resposta tão altas, especialmente para um câncer difícil de tratar. Isso serve como prova de que a pesquisa de imunoterapia compensa”, afirma.
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A reprogramação genética das células T envolve a inserção de um gene projetado artificialmente no genoma dessas células, o que as ajuda a encontrar e destruir células cancerosas em todo o corpo.
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“Embora os avanços recentes na quimioterapia tenham dado uma expectativa de vida prolongada a quem tem mieloma múltiplo, esse câncer permanece incurável. Nos parece que, com essa nova imunoterapia, pode haver uma chance de cura”, afirma o autor do estudo, Wanhong Zhao, diretor associado de Hematologia no Second Affiliated Hospital, da Universidade Xi’an Jiaotong, na China.

Imunoterapia

“Esses dados são um forte sinal de que a terapia pode colocar o mieloma múltiplo em remissão. É raro ver taxas de resposta tão altas, especialmente para um câncer difícil de tratar. Isso serve como prova de que a pesquisa de imunoterapia compensa.”
Michael S. Sabel
Oncologista

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Molécula prolonga vida de homens com tumor na próstata

A pesquisa foi realizada com 1.200 pacientes em 34 países, entre fevereiro de 2013 e dezembro de 2014

PUBLICADO EM 12/06/17 – 03h00

CHICAGO, EUA. A adição de uma nova droga anti-hormonal ao tratamento tradicional contra o câncer de próstata reduziu em até 38% o risco de morte entre os pacientes, segundo um ensaio publicado na semana passada, marcando um avanço importante na luta contra essa doença. O estudo também foi apresentado na Asco 2017.
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A nova molécula, a abiraterona (Zytiga), dos laboratórios Janssen, combinada com a prednisona – terapia anti-hormonal de referência para os homens com um tumor na próstata com metástase –, também permite atrasar em 18 meses (de 14,8 para 33 meses) o avanço do câncer, afirma uma das pesquisas, chamada de Latitude.
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Conduzida pelo médico Karim Fizazi, chefe do Serviço de Oncologia do Instituto Gustave Roussy de Paris, a pesquisa foi realizada com 1.200 pacientes em 34 países, entre fevereiro de 2013 e dezembro de 2014.
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Além disso, outro estudo, apresentado no encontro, mostrou ótimos resultados para esses pacientes. O segundo ensaio clínico (Stampede), dirigido por Nicholas James, professor de Oncologia Clínica no Hospital Queen Elizabeth de Birmingham, no Reino Unido, envolveu 2.000 homens, tratados nesse país e na Suíça.
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Um acompanhamento realizado 40 meses depois concluiu que o risco de mortalidade foi reduzido em 37%.

Brasil. Para o ano passado, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) era de 61 mil novos casos de câncer de próstata no Brasil, sendo estimadas mais de 13 mil mortes no país.

Casos. Os tratamentos anti-hormonais clássicos conseguem conter o câncer de próstata durante um longo tempo, mas o tumor pode desenvolver uma resistência a esses medicamentos e invadir os ossos, provocando dores e fraturas. De um modo geral, o Zytiga é bem tolerado e apresenta poucos efeitos colaterais, afirmam os especialistas.