Recessão e Lava-Jato derrubam PIB da construção civil por dois

Em valores correntes, setor encolheu R$ 14,6 bilhões

PUBLICADO EM 22/06/17 – 03h00

RIO DE JANEIRO. Os efeitos da recessão, que travou os investimentos e o consumo, e das investigações da Lava Jato, que paralisaram as atividades de grandes construtoras, fizeram com que a geração de riquezas do setor de construção civil, indicador semelhante ao PIB, recuasse pelo segundo ano seguido, em 2015. É o que mostra a mais recente Pesquisa da Indústria de Construção Civil (Paic), divulgada pelo IBGE nessa quarta-feira (21).

Depois de recuar 9,6% em 2014, primeiro ano da Lava Jato e da crise econômica, a geração de riquezas do setor encolheu, em relação ao ano anterior, 7,8% em 2015, ano em que a recessão se aprofundou. Em valores correntes, a queda foi de R$ 14,6 bilhões, para R$ 172,61 bi.

O resultado ruim foi puxado para baixo pelo desempenho do segmento de infraestrutura, que contempla a construção de barragens, rodovias, portos, aeroportos e subestações de energia, entre outros. A geração de riquezas desse segmento recuou 19,8% em 2015, o maior de toda a série histórica, iniciada em 2002, ressalta José Carlos Guabyraba, gerente da Paic. Já o valor adicionado da construção de edifícios recuou apenas 0,3%.

O IBGE destacou que as obras de infraestrutura são influenciadas pelos desembolsos do BNDES, que reduziram nominalmente 20%, passando de R$ 69 bilhões, em 2014, para R$ 54,9 bi em 2015.

Salários menores. Apesar de o número de empresas ativas na construção civil ter aumentado entre 2014 e 2015, a quantidade de pessoas empregadas nesse segmento diminuiu. Em 2015, havia 131,5 mil empresas ativas que ocuparam 2,4 milhões de pessoas, cerca de 455 mil a menos do que em 2014. O salário médio mensal recuou 1,4% em termos reais, passando de R$ 1.970,05 em 2014 para R$ 1.943,43 entre um ano e outro.