07-07-2017, 8h14

Se depender do PSDB e de Maia, Temer caminha para forca

Tasso defende que presidente da Câmara ocupe Palácio do Planalto
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O presidente em exercício do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE), deu declarações que reforçam o movimento na Câmara que deseja colocar Rodrigo Maia no Palácio do Planalto. As afirmações do tucano dificultam ainda mais a tarefa do governo de derrubar na Câmara a autorização para que o Supremo Tribunal Federal analise a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer.

Tasso disse que Maia, presidente da Câmara, “tem condições de juntar os partidos ao redor de um nível mínimo de estabilidade de que o país precisa”. O tucano afirmou que o Brasil se aproxima da “ingovernabilidade”. Tasso enfraqueceu Temer.

O PSDB foi o principal avalista do impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Os tucanos foram fundamentais para acelerar a queda da petista no Congresso, porque deram apoio ao PMDB de Temer a fim de liderar uma rebelião na base congressual e aplicar um golpe parlamentar.

Primeiro, foi tomada a decisão de derrubar Dilma. Depois, foram atrás das provas, sobre as quais havia enorme divergência entre juristas. Há um recurso de Dilma no STF que ainda precisa ser examinado.

O PSDB é um dos principais responsáveis pelo governo Temer. A atual política econômica, com a agenda de reformas da Previdência e trabalhista, foi uma condicionante dos tucanos para integrar o ministério. Na maior crise de Temer, Tasso dá uma declaração mortal. Para ele, bastaria trocar Temer por Maia.

A coluna Painel, da “Folha de S.Paulo”, traz a informação de que o senador Cássio Cunha Lima, também do PSDB, disse a investidores que Temer já caiu. É outro tiro forte contra o peemedebista.

Parte da cúpula do PSDB, refletindo um sentimento que cresce entre tucanos, está fritando e traindo Temer. Ao mesmo tempo, já está embarcando numa nova articulação, a favor de Rodrigo Maia, que também está se fortalecendo no Congresso.

Para reagir, Temer está tentando reunir os votos na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e no plenário da Casa a fim de derrubar a denúncia de Janot. Essa foi a estratégia reforçada por ele na reunião ministerial de quarta antes de viajar para a reunião do G-20 na Alemanha.

Se for derrotado, a tendência do STF deve ser aceitar a denúncia e abrir o processo por crime de corrupção passiva. Nesse caso, seria afastado da Presidência, daria lugar a Rodrigo Maia e esperaria ser julgado. O STF tem prazo de 180 dias para julgar. Se não terminar nesse período, Temer voltaria.

Mas obviamente o julgamento se encerraria antes. Nesse tempo, outras denúncias viriam. Logo, se perder na Câmara, Temer estará, na prática, fora do poder.

Nesse cenário, a única resposta política que poderia dar seria tentar propor a antecipação da eleição presidencial, o que a maioria dos tucanos não quer. Tampouco Rodrigo Maia, diante da possibilidade de virar presidente. O PSDB tem medo de eventual vitória de Lula, do PT.

Quanto mais Temer se enfraquecer, mais difícil será para ele ter cacife para liderar uma proposta de emenda constitucional a fim de que haja diretas-já. O presidente está numa encarrascada política.

O temperamento e as atitudes tomadas até aqui indicam que Temer tentará resistir. Lutará para derrubar a denúncia de Janot. Mas a fritura do PSDB dificulta muito a ação de sobrevivência do presidente.

O atual presidente ainda tem cartas para jogar. Está com a caneta na mão. Tem apoio de boa parte da base parlamentar. Não está morto. Mas, se depender do PSDB e de Rodrigo Maia, está a caminho da forca.

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Reformas e diretas-já

Há dúvida se Rodrigo Maia conseguirá votar a reforma da Previdência. Se Temer cair, haverá uma desorganização da atual base de apoio. O PSDB tem a tendência de achar que basta o aval do mercado financeiro e do empresariado para aprovar reformas econômicas. Se bastasse, as reformas teriam sido aprovadas faz tempo.

Certamente, Maia manteria a equipe econômica de Temer. Isso é um trunfo para ele, que também se revelou um bom articulador político na presidência da Câmara e está jogando parado, emitindo sinais discretamente.

Mas haveria sequelas no Congresso que demorariam a ser curadas. E aconteceria forte contestação da oposição.

A ideia de antecipar as eleições, abraçada inclusive pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o que irritou tucanos, seria uma solução mais adequada. Há uma proposta de reforma política para acabar com a reeleição e recriar o mandato de cinco anos para presidente que está em tramitação na Câmara.

Um presidente eleito teria mais legitimidade e força para administrar o país. Mas essa possibilidade hoje é bem menor do que a de haver um acordo no Congresso para alçar Maia à Presidência. Está pintando um acerto parlamentar nesse sentido.

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Maia se aproxima do mercado e já sinaliza quais ministros serão demitidos

Foto: Agência Brasil
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Jornal GGN – De maneira discreta, Rodrigo Maia (DEM) vem dando sinais de quais mudanças pretende fazer no governo caso assuma a presidência no lugar de Michel Temer. Para angariar apoio, ele tem insinuado que o titular da Fazenda, Henrique Meirelles, deverá ser mantido pelo bem do ajuste econômico. Dyogo Oliveira, do Planejamento, é “dúvida”, já que “empresários e investidores” estão interessados em escolher um novo nome. A informação é do Poder 360.
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Já o núcleo duro da área política de Temer – formado por Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria Geral) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) – deve ser totalmente modificado para mostrar “renovação”. “O entendimento é que novas caras (e mais jovens) precisam assumir o comando”, apontou o portal.
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Ministros mais “jovens” como Bruno Araújo (Cidades), ; Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), Leonardo Picciani (Esporte), Maurício Quintella Lessa (Transportes) e Mendonça Filho (Educação) só saem se eles quiserem.
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O jornal Valor Econômico publicou nesta sexta (7) que desde que a bomba da JBS caiu no colo de Temer, Maia abriu sua agenta extraoficial para receber nomes do mercado. “Entre os ouvintes, segundo apurou o Valor, estão analistas do Santander, Itaú e Banco Société Générale Brasil, de corretoras como XP Investimentos e BGC Liquidez, empresas de análise, um dos sócios da Ventor Investimentos, Flávio Fucs, e economistas como o diretor-presidente do Insper, Marcos Lisboa, que tem interlocução com todo o mercado.”
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Segundo pessoas que já tiveram encontros com Maia, ele, em “nenhum momento”, sugeriu assumir a Presidência no lugar de Temer, para não demonstrar traição. “Questionado sobre essa possibilidade em conversa na semana passada, o presidente da Câmara foi categórico: disse que não parou para pensar nessa hipótese e que o melhor para o Brasil é a continuidade do governo Temer. “
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Em Brasília, a análise é que Maia está desempenhando seu cargo da maneira mais institucional possível, sem defender o governo, mas sem ajudar a derrubá-lo. Assim, caso Temer permaneça no cargo, “hipótese ainda muito provável, Maia teria mantido sua lealdade, buscaria a reeleição para deputado federal e tentaria se cacifar para comandar a Câmara pela terceira vez seguida. Se Temer não conseguir, Maia manteria a atual coalizão de partidos e buscaria tocar a agenda até a eleição de 2018”, finalizou o jornal.