Cunha quer se vingar de seus delatores e PGR cobra mais

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
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Jornal GGN – O esperado acordo de delação premiada do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ainda enfrenta obstáculos antes de ser fechado. A Procuradoria-Geral da República (PGR) exige que o ex-presidente da Câmara entregue aliados e indícios mais certeiros contra o presidente da República, Michel Temer. O acordo já leva mais de dois meses.
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O ex-parlamentar, por outro lado, já mostrou que não enfrenta resistências para indicar tudo o que sabe contra Temer, o que não ocorre de igual forma com aliados. De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo desta quinta-feira (27), investigadores indicam que Cunha ainda tenta blindar aliados do chamado “centrão”, o bloco alimentado por ele mesmo quando ocupava a Câmara dos Deputados.
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Entretanto, procuradores da República pressionam para que Cunha delate fatos ilícitos contra parlamentares antigos aliados. Preso desde outubro do ano passado, o ex-deputado também precisaria ajudar os investigadores a chegar a uma conta ou trust em paraíso fiscal que teria ligação com recebimentos de propinas e caixa dois por Michel Temer.
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Eduardo Cunha não teria tais informações sobre o mandatário, mas já indicou outras acusações que miram não somente o próprio presidente, como boa parte da cúpula de governo do PMDB. Parte de seus depoimentos guardam relação direta com as acusações que recaem contra si mesmo. A estratégia de Cunha é, ao mesmo que tenta diminuir sua possível pena com condenação da Lava Jato, miná-la, indicando que o responsável não seria ele, mas o próprio presidente da República.
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Parte das acusações são sobre a Medida Provisória dos Portos, que acabou com a vantagem fiscal de importadores que utilizavam portos em alguns estados, como Espírito Santo, Santa Catarina e Ceará. Além de Temer, estão na mira de Cunha o secretário-geral da Presidência, Moreira Franco, e o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
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Moreira Franco também teria atuado em favor da OAS na área de concessões de aeroportos, enquanto ocupava o cargo de ministro da Secretaria de Aviação Civil, entre 2013 e 2015. Maia aparece como beneficiário de propinas pela aprovação de uma medida provisória, a 652, que atendia a interesses da OAS nas concessões. Entre as provas já coletadas, mensagens do celular do dono da OAS, Léo Pinheiro, registram o deputado avisando o empreiteiro da edição da MP.
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Cunha também mostrou que não está para fazer amigos com os que o delataram. O lobista e ex-consultor da Toyo Setal, Júlio Camargo, que afirmou que Cunha o pressionou para pagar uma dívida de propina de US$ 5 milhões em um contrato de navios-sonda junto à Petrobras, também faz parte do acordo do ex-deputado.
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Da mesma forma, está na mira o executivo do grupo J&F, Joesley Batista, que trouxe informações de propinas ao ex-parlamentar. Cunha quer mostrar que ele mentiu em diversas situações, como o de que ele teria recebido R$ 30 milhões para compra de apoio de deputados para se eleger presidente da Câmara. Segundo o ex-parlamentar, o dinheiro teria sido repassado diretamente pelo grupo e não por ele aos parlamentares.