Por defender Moro contra Lula, presidente do TRF-4 pode ser investigado pelo CNJ

Foto-montagem: Brasil247
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Jornal GGN – Após o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Carlos Eduardo Thompson Flores, afirmar que a sentença de Sérgio Moro contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é “vai entrar para a história” e “é tecnicamente irrepreensível”, o deputado Wadih Damous (PT-RJ) entrou com representação contra o desembargador.
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A declaração do presidente do TRF-4, tribunal responsável por revisar as condenações e decisões do juiz de primeira instância, Sergio Moro, na Operação Lava Jato, foi feita em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, divulgada neste domingo (06).
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Além de ter se manifestado favoravelmente ao despacho de Moro, o desembargador, que não é o relator das revisões e dos recursos de Lula e tampouco integra a Turma que julgará o caso, chegou a comparar a sentença ao caso de Vladimir Herzog, morto durante a ditadura militar.
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“O juiz Sérgio Moro fez exame minucioso e irretocável da prova dos autos. Eu comparo a importância dessa sentença para a história do Brasil à sentença que Márcio Moraes proferiu no caso Herzog, sem nenhuma comparação com o momento político. É uma sentença que vai entrar para a história do Brasil. E não quero fazer nenhuma conotação de apologia. Estou fazendo um exame objetivo”, disse na entrevista.
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Com a manifestação e o posicionamento do presidente do Tribunal, o deputado do PT decidiu protocolar uma representação contra ele no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “Essa postura não é ética. Estou entrando com a representação contra ele, que está violando totalmente a Lei Orgânica da Magistratura, que proíbe esse tipo de comentário em processos em andamento, faça ele parte do processo ou não”, disse Damous.
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“Embora ele não seja da 8ª Turma (responsável pelo recurso de Lula), como presidente ele pode ter que dirimir alguma questão do processo. Ao dar essa declaração, no mínimo, ele tem que se dar por suspeito ou impedido em qualquer ato que tenha que praticar que diga respeito a esse processo. Em segundo lugar, ele praticou uma falta ética disciplinar”, completou o deputado.