Polícia Federal comete erros grosseiros em inquéritos da Lava Jato no Rio

Foto: Reprodução

Jornal GGN – O inquérito que apontou compra de votos no Tribunal de Contas da União para liberação de obras da usina de Angra 3 está recheado de “erros crassos”, diz o advogado Tiago Cedraz, filho do ministro do TCU Aroldo Cedraz e acusado de pedir dinheiro à construtora UTC.

Segundo ele, a delegada Graziela Machado da Costa – a mesma que produziu um relatório contrário a processar Romero Jucá por conversas sobre “estancar a sangria” e derrubar Dilma Rousseff – confundiu os donos de linhas telefônicas e, por conta disso, forçou a criação de um elo supostamente criminoso entre os investigados.

É o que aponta reportagem do Conjur.

Investigado aponta erros da PF com quebra de sigilo no inquérito de Angra 3

Do Conjur
a
O inquérito da Polícia Federal que concluiu ter havido compra de votos no Tribunal de Contas da União para liberação de obras da usina nuclear Angra 3 se baseou em “erro crasso” da Polícia Federal. É o que diz o advogado Tiago Cedraz, acusado de pedir dinheiro à construtora UTC para comprar votos de ministros no processo sobre a licitação da usina, em petição enviada à Procuradoria-Geral da República.
a
De acordo com Tiago Cedraz, a delegada que presidiu o inquérito, Graziela Machado da Costa e Silva, errou ao estabelecer quem eram os donos das linhas de telefone que investigou. Isso fez com que a PF registrasse centenas de ligações entre o advogado e o ministro Aroldo Cedraz, pai dele, e 75 ligações do gabinete do ministro Raimundo Carreiro para Luciano Araújo, primo de Tiago. Carreiro foi relator do processo sobre Angra 3 e hoje preside o TCU.
a
O inquérito foi aberto em 2015 com base na delação premiada do ex-diretor da UTC Ricardo Pessoa, num dos braços da operação “lava jato”. Ele disse ter dado R$ 1 milhão a Tiago Cedraz para que ele repassasse a Raimundo Carreiro e garantir a aprovação da licitação de Angra 3. Também disse que pagava mesada de R$ 50 mil ao advogado para que ele passasse “informações privilegiadas” sobre o processo, que conseguiria com seu pai, Aroldo, na época presidente do TCU.
Outros quatro delatores confirmam a informação de Pessoa, o que serviu de motivação para medidas de busca e apreensão e para quebra de sigilo telefônico dos acusados. E foi a partir dos registros de ligações telefônicas que a PF concluiu haver relações entre os delatados.
a
No entanto, afirma Tiago Cedraz na petição, a maioria das linhas está atribuída às pessoas erradas, embora todas as informações tenham sido prestadas à PF durante as investigações. Por exemplo, o telefone atribuído a ele, na verdade, é o da casa de Aroldo Cedraz. Já os celulares que a PF diz serem de Aroldo, na verdade, estão registrados sob um plano familiar que fica no nome do ministro. Portanto, das três linhas atribuídas a ele, uma está com a mulher dele e outra, com a filha caçula.
a
“A extraordinária confusão”, contou Tiago Cedraz, fez com a PF considerasse como ligações entre ele o pai todos os contatos feitos entre o celular de Aroldo e sua casa, o gabinete e sua casa, o celular da mulher dele para casa, Tiago e a mãe e Tiago e a irmã.
a
Outro documento que Tiago diz ter sido ignorado pela PF é o registro de chamadas feitas por todos os ramais do TCU, fornecido pelo setor de sindicâncias da corte. O inquérito concluiu que, entre 2012 e 2014, o gabinete do ministro Raimundo Carreiro ligou para o celular de Tiago Cedraz 75 vezes, e algumas das ligações foram feitas nas datas em que o dinheiro foi supostamente entregue pelo doleiro Alberto Youssef ao escritório de Tiago, segundo a versão de Ricardo Pessoa para os fatos — Youssef, também delator da “lava jato”, nunca confirmou essa narrativa.
a
Mas a conclusão decorreu de “outro erro olímpico” dos investigadores, segundo Tiago Cedraz. O telefone que a PF diz ser de Raimundo Carreiro, na verdade, é do gabinete de Aroldo Cedraz. E o que foi atribuído a Tiago, na verdade, é o da casa de Aroldo. Portanto, as ligações foram feitas do gabinete de Aroldo para sua própria casa.
a
Houve ainda ligações do gabinete de Raimundo Carreiro e do gabinete de Aroldo para o celular e o escritório de Tiago. Mas o advogado afirma que foram dar notícia a ele e sua equipe sobre o andamento de pedidos ou perguntas feitas aos gabinetes. “Advogados advogam, diz ele no documento enviado à PGR. “E advogar, muitas vezes, consiste no cumprimento de aborrecidas diligências burocráticas.”
a

Caminho do dinheiro

Na petição, Tiago Cedraz afirma que nunca pediu nem recebeu o tal R$ 1 milhão que Ricardo Pessoa diz ter dado a ele para comprar o voto de Raimundo Carreiro no caso de Angra 3.
a
“Afastados sigilos telefônicos, financeiros e de dados, não foi identificada nenhuma movimentação escusa, nenhum indício, nenhuma intercorrência indicativa de que esse valor tenha sido retirado de alguma operação e alocado em outra. Não existem, nos autos, elementos indicativos, sequer, da origem dos recursos, que dirá do suposto destino que lhe foi emprestado”, afirma o advogado.
a
O próprio Ricardo Pessoa, em sua delação, diz não ter provas de que houve o pagamento ou de que o dinheiro tenha sido recebido. Tiago diz que, embora os crimes de corrupção e tráfico de influência só exijam provas de solicitação, promessa e aceitação,e dispensa a existência do efetivo pagamento.
a
Entretanto, diz o advogado, seria necessário que a PF demonstrasse no mínimo a coerência de versões entre delatores para o mesmo fato. Mas o que há na conclusão do inquérito é um “manancial de confusões”, segundo a petição.
a
A delação de Duque, por exemplo, tem duas versões para o R$ 1 milhão. A primeira seria a de que Tiago cobrou seus honorários dando a entender que poderia influir nos resultados de julgamentos. A segunda foi a de que Tiago “vendia tráfico de influência no TCU” e dizia que poderia influenciar decisões da área técnica da corte e dos ministros, mas apenas insinuava seu poder. Apenas no caso de Carreiro é que ele foi explícito em pedir dinheiro e repassar ao ministro, disse Duque.
a
Mas o andamento processual do caso desmente a influência, conforme diz a petição de Tiago Cedraz e como já mostrou reportagem a ConJur sobre o caso. Publicado em julho de 2015, o texto mostrou que as alegações de que a licitação de Angra 3 eram ilegais por restringir a concorrência foram feitas por empresas que foram desclassificadas por não oferecer os serviços pedidos pelo governo.
a
=========================================

Primeiro preso da Lava Jato revela abusos de Moro e do delegado Anselmo

Foto: Mario Cesar Carvalho/Folhapress
Jornal GGN – Carlos Habib Chater, vendido pelos autoridades na grande mídia como o doleiro pivô da Lava Jato, disse à equipe de reportagem do portal UOL que a força-tarefa de Curitiba combate corrupção com corrupção. Ele atacou especialmente o delegado Márcio Anselmo – que, inclusive, é processado por Lula – por ter ameaçado em troca de uma delação e disse que a sentença de Sergio Moro contra ele foi injustamente dada apenas para sustentar a fantasia que é a megainvestigação.
a
Chater começou a ser investigado pela Polícia Federal em 2008, sob suspeita de usar seu posto de gasolina (o Posto da Torre) para lavar dinheiro para José Janene (PP), morto em 2010.
a
A PF acusou Chater, inicialmente, de ter movimentado de maneira ilegal cerca quase R$ 11 milhões entre 2007 e 2014. O “doleiro” ri da imputação: “Como eles podem ter provado que eu lavei tanto dinheiro, se eu fui condenado por uma lavagem de R$ 460 mil num das sentenças?”, questiona.
“Cadê o restante do dinheiro? Cadê essas lavagens, onde estão? Por que talvez a mídia não foca um pouco mais nessas questões de pegar um processo e perder um pouco mais tempo para dar uma analisada”, sugeriu ao UOL.
a
Os R$ 460 mil, segundo a PF, seria o montante que Chater teria lavado para um traficante. Ele nega e diz que a acusação não conseguiu levantar provas disso. Quem teria criado um elo que justificasse a sentença por lavagem foi o juiz Sergio Moro. “Foi uma condenação completamente injusta. Acho que o Brasil está combatendo ilegalidades com outras ilegalidades”, comentou.
a
“Eu entendo a sanha por Justiça. Mas não devemos, como se diz por aí, fazer Justiça com as próprias mãos. Eu acho que a Lava Jato, em princípio, começou co, esse foco.”
a
No total, Moro – que manteve a prisão preventiva por 570 dias – condenou Chater em duas ações que somam 9 anos e 9 meses de prisão, referendados em segunda instância. Ele cumpriu 1 ano e 7 meses em regime fechado e mais 1 ano no semiaberto. Já está, inclusive, operando o Posto da Torre.
a
No segundo processo, Chater foi acusado de lavar dinheiro para Alberto Youssef, com quem admite ter uma amizade de muitos anos, mas nega a imputação na Lava Jato.
a
Segundo ele, a força-tarefa só conseguiu apresentar essa acusação porque forçou a delação premiada de um ex-gerente do posto que ficou preso preventivamente por muito tempo, sem nenhuma perspectiva de deixar o cárcere sem fazer um acordo de cooperação. No final, o ex-gerente, segundo Chater, “inventou uma história, não conseguiu provar e a delação não foi homologada. Foi o desespero de um cara que estava preso. Esse é o modus operandi da Lava Jato: minar o cara que está la dentro para falar até o que ele não fez. […] Está de combatendo ilegalidade com outro ilegalidade”, repetiu.
a
Moro, por sua vez, também teria decidido descartar depoimentos que eram a favor do réu, como o de Alberto Youssef afirmando que não havia usado o posto para lavar dinheiro. “(…) das duas, uma: ou ele mentiu e toda a delação dele deveria ser descartada, ou ele falou a verdade e o juiz não levou em consideração”, disparou.
a
Quando questionado porque Sergio Moro faria isso, Chater respondeu que o juiz estava comprometido com o sucesso da operação a qualquer custo. “(…) Como é que pode ser absolvido o cidadão que deu origem à Lava Jato? Talvez isso tenha pesado e talvez eles tenham achado que uma eventual absolvição fragilizaria a Lava Jato.”
a
AMEAÇA DO DELAGADO
a
A ameaça feita a Chater pelo delegado Márcio Anselmo teria ocorrido quando o dono do posto estava preso por suspeita de ter lavado R$ 460 mil para um traficante. Ele nega conhecimento do caso, mas afirmou que o delegado usou isso para força uma delação.
a
“O delegado disse que me envolveria com o narcotráfico, que eu ficaria mais de 20 anos na cadeia e ele me livraria em uma semana, caso eu dissesse quem era os agentes públicos ou os políticos que recebiam [propina] aqui [no Posto da Torre]. Eu disse a ele que, em primeiro lugar, eu fui monitorado por 8 meses oficialmente – mas fora da questão oficial eu com certeza fui monitorado por muito mais tempo -, e ele não teria indício de tráfico de droga. Inclusive, dentro das celas da Polícia Federal nós localizamos uma escuta ambiental, que na época o juiz disse que não tinham autorização de colocar. Existem muitas coisas que aconteceram nos bastidores dessa operação que eu diria ilegais, imorais, que ninguém sabe ou que pelo menos ninguém quer dar ouvidos”, disparou.
a
“Quando nós localizamos a escuta ilegal mabiental que estava nas celas, abriram uma sindicância e quem estava cuidando era o delegado responsável pelas investigações da Operação Lava Jato. Isso é uma piada, né?”, ironizou.
a
“Como o delegado Márcio Anselmo (que deixou a Lava Jato em 2017) viu que eu não faria delação e não teria quem entregar, depois de várias tentativas, de insistências, de ameaças, ele disse que mandaria para o presídio. No dia seguinte eu fui para o presídio [de São José dos Pinhais]”, acrescentou.
a
Segundo o UOL, o delegado Anselmo não se manifestou sobre a reportagem.
a
Leia o texto, na íntegra, aqui.