Valor admite risco de crime fiscal no golpe

Depois da farsa das acusações de pedaladas que justificaram o golpe que derrubou Dilma Rousseff, o Valor Econômico admite, em sua manchete desta segunda-feira, que o caos econômico da dupla Michel Temer e Henrique Meirelles está empurrando o Brasil para o buraco.

O jornal relata a preocupação da equipe econômica com os riscos de descumprimento da chamada “regra de ouro” das finanças públicas, o artigo 167 da Constituição, que proíbe a emissão de dívida em valor superior às despesas de capital (essencialmente investimentos) do exercício; ou seja: o déficit recorde já põe o governo em risco de crime fiscal.

21 de Agosto de 2017 às 08:27

247 – O Valor Econômico, que pertence às organizações Globo, admite, em sua manchete, que o caos fiscal da dupla Michel Temer e Henrique Meirelles está empurrando o Brasil para o buraco.

Depois de legitimar a farsa das pedaladas fiscais, que derrubaram Dilma Rousseff em um impeachment sem crime de responsabilidade, o jornal agora já admite o drama da economia brasileira.

Em uma extensa reportagem, o Valor relata a preocupação da equipe econômica com os riscos de descumprimento da chamada “regra de ouro” das finanças públicas, o artigo 167 da Constituição, que proíbe a emissão de dívida em valor superior às despesas de capital (essencialmente investimentos) do exercício;

Com os elevados déficits fiscais, há crescente possibilidade de infração à norma em 2018, o que configuraria crime de responsabilidade das autoridades, inclusive do presidente da República. Se a questão não for equacionada, quem assumir o governo em 2019 também terá dificuldade para cumprir a regra, a menos que paralise a máquina pública por falta de pagamentos.

Cresce a pressão para o BNDES devolver recursos ao Tesouro, que seriam usados para pagar a dívida pública. Isso pode ser considerado investimento, o que abre espaço para emissões ou financia a cobertura do déficit. A devolução de R$ 100 bilhões ao Tesouro em 2016 ajudou a evitar o descumprimento da “regra de ouro” neste ano. Também aumenta a pressão por privatizações, outra fonte que permite o cumprimento da regra.

Uma análise dos relatórios resumidos de execução orçamentária mostra que entre 2013 – último ano em que houve superávit primário – e 2016 a diferença entre despesas de capital (investimentos) e operações de crédito consideradas para o cumprimento da “regra de ouro” passou de R$ 203 bilhões para R$ 86 bilhões, uma queda de 57,6%.

As informações são de reportagem de Fabio Graner e Murillo Camarotto no Valor.

=======================================

PIB cai e prova que segue a depressão Temer-Meirelles

Agência Brasil

Dados do Monitor do PIB, da Fundação Getúlio Vargas, divulgados nesta segunda-feira 21 mostram que a política econômica de Michel Temer e Henrique Meirelles fracassou e o Produto Interno Bruto recuou 0,24% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro trimestre.

Segundo a pesquisa, no primeiro trimestre o PIB tinha registrado alta de 0,99%; na comparação com o segundo trimestre de 2016, o recuo foi ainda maior: 0,30%; principal destaque negativo neste tipo de comparação foi a queda de 1,8% da indústria, influenciada pela redução de 7,4% do setor da construção.

21 de Agosto de 2017 às 09:48

Agência Brasil – O Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país), recuou 0,24% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro trimestre. A informação é do Monitor do PIB, divulgado hoje (21), no Rio de Janeiro, pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segundo a pesquisa, no primeiro trimestre o PIB tinha registrado alta de 0,99%. Na comparação com o segundo trimestre de 2016, o recuo foi ainda maior: 0,30%. O principal destaque negativo neste tipo de comparação foi a queda de 1,8% da indústria, influenciada pela redução de 7,4% do setor da construção.

Sob a ótica da demanda, os investimentos tiveram um recuo de 5,1%. Por outro lado, o consumo das famílias avançou 0,6%, depois de nove trimestres consecutivos de queda. O resultado positivo foi influenciado pelos consumos de bens duráveis (3,8%), semiduráveis (7,3%) e não duráveis (0,5%).

Analisando-se apenas o mês de junho, o PIB cresceu 2,65% na comparação com maio, depois de uma queda de 5,79% na passagem de abril para maio.

===================================

Caos fiscal do golpe pode levar ao calote da dívida

Beto Barata/PR | Reprodução

Embora Michel Temer e Henrique Meirelles tenham prometido ajuste fiscal, promoveram os maiores rombos fiscais da história do Brasil e o estouro da dívida interna. Resultado: o Brasil é o único país emergente do mundo que apresenta uma dinâmica explosiva na trajetória da dívida. Como consequência, a dívida interna pode se tornar impagável.

De 2015, ano da preparação do golpe, a 2022, os rombos somarão R$ 800 bilhões, mais do que tudo que foi economizado nos governos Lula e Dilma.

21 de Agosto de 2017 às 06:09

247 – A dívida pública brasileira já equivale a mais de 80% da renda nacional, um patamar que destoa entre os principais países emergentes, segundo o Fundo Monetário Internacional. Na lista das principais economias em desenvolvimento, só o Brasil apresenta uma trajetória explosiva de endividamento do governo, que não será interrompida antes de 2022.

O Fundo inclui na dívida títulos do Tesouro Nacional que são negociados pelo Banco Central para regular a quantidade de dinheiro na economia; o governo, não.

A dívida pública do Japão passa de 200% do PIB, mas o gasto com juros não chega a 1%. A despesa brasileira, hoje, beira os 7% do produto. É mais do que se aplica em educação no país.

A arrecadação, porém, é insuficiente até para cobrir gastos cotidianos -como pessoal, custeio administrativo e programas sociais- e as obras públicas. Isso significa que o governo tem deficit primário (sem contar a despesa financeira).

O governo acaba de elevar para R$ 159 bilhões sua projeção para esse deficit neste ano (eram R$ 139 bilhões) e no próximo (antes, previa-se queda para R$ 129 bilhões).

Os cálculos pressupõem crescimento econômico de 2% no próximo ano, com ligeira melhora, para 2,6%, até 2020. Taxas mais favoráveis encurtariam o ajuste orçamentário; qualquer decepção com o PIB teria o efeito oposto.

As informações são de reportagem do Dinheiro Público e Cia publicada na Folha de S.Paulo.