Laticínios Porto Alegre abre 3ª fábrica em MG

Unidade fica em Antônio Carlos, na região de Campo das Vertentes, com geração de cem empregos

João Lúcio Carneiro

Presidente da Porto Alegre, João Lúcio Carneiro planeja abertura de mais uma fábrica
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PUBLICADO EM 07/09/17 – 03h00 – Jornal O Tempo

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Do início do negócio na fazenda de 300 hectares da família, há 26 anos, em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, o produtor de leite João Lúcio Barreto Carneiro criou o Laticínios Porto Alegre e levou a empresa a ser a décima quinta maior do país no setor de lácteos. Com duas fábricas – uma em Ponte Nova, onde fica a sede, e outra em Mutum, na região do Rio Doce – Carneiro conta que está expandindo o negócio em Minas Gerais. “Adquirimos um laticínio em Antônio Carlos no ano passado que está em reforma e junto a ele vamos começar uma nova fábrica”, anuncia.
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O investimento na região de Campos das Vertentes é em torno de R$ 50 milhões para fazer produtos frescos. “A indústria existente vai produzir queijo frescal e cottage aumentando a capacidade produtiva da Porto Alegre e também vamos fazer uma indústria nova de produtos frescos”, explica. Neste primeiro momento, a terceira indústria deve gerar cem empregos diretos na área industrial de Antônio Carlos.
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Carneiro inicia no final deste mês a produção na fábrica antiga de Antônio Carlos na linha de frescal que é um objetivo da Porto Alegre de crescer no mercado de queijos frescos. “Esperamos inaugurar a fábrica nova no final do primeiro trimestre de 2019”, calcula Carneiro, referindo-se à construção no mesmo espaço da unidade de Antônio Carlos.
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A escolha da região mineira de Campos das Vertentes, segundo Carneiro, se deu por vários motivos: “É uma região que tem uma bacia leiteira grande, temos um grande volume de produção de leite de produtores rurais, é uma região carente de indústrias. E, estrategicamente, ela é bem localizada, estamos próximos dos mercados do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo”, justifica.
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Se tem mais espaço para crescer em unidades industriais, Carneiro diz que sim. “Será aberta uma quarta fábrica, mas o local é segredo”, afirma Carneiro, em meio a uma gargalhada vitoriosa em ver o negócio crescer.
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Além das três fábricas, o Laticínios Porto Alegre tem mais três postos de captação de leite. São 750 mil litros de leite captados por dia de mais de 3.000 produtores rurais. E esse volume vai aumentar. “A Porto Alegre vem crescendo e, nos próximos cinco anos, nosso objetivo é dobrar a capacidade, passando para 1,5 milhão de litros de leite por dia”, informa Carneiro.
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Empregos e faturamento. Com as expansões nos próximos cinco anos no laticínio mineiro, Carneiro calcula que a empresa chegará a 1.600 funcionários. Até 2016, eram mil empregados. Em relação ao faturamento – que gira em torno de R$ 600 milhões por ano –, o resultado também será maior neste ano, em torno de R$ 630 milhões. “Nos próximos cinco anos, deverá chegar a R$ 1,5 bilhão”, prevê.
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Com um portfólio formado por 40 itens, os produtos estão em 4.000 pontos de venda. Com forte atuação em Minas Gerais e no Espírito Santo, o foco é crescer principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Desde que a Porto Alegre inaugurou a nova unidade em Ponte Nova, em 2011, não paramos de construir nem um dia. A Porto Alegre é um canteiro de obras”, conclui.

Fazenda. No início do laticínio na fazenda a produção era de 1.500 litros de leite por dia. A família Carneiro fazia muçarela e leite barriga mole (pasteurizado). Após três anos, o laticínio transferiu-se da fazenda para a cidade.

FOTO: Porto Alegre/divulgação
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Laticínio em Ponte Nova, sede da empresa, tem 120 mil m², com 28 mil m² de área construída

Investimentos nos próximos cinco anos somam R$ 200 mi

Em abril deste ano, a suíça Emmi anunciou a aquisição de parte do Laticínios Porto Alegre. “Temos um sócio que é a Emmi, que adquiriu 40% das ações com o objetivo de continuarmos crescendo, arrumarmos um parceiro para crescer com mais consistência e depender menos de recursos financeiros do país”, explica o presidente do laticínio, João Lúcio Carneiro.
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Assim, o executivo prevê que, nos próximos cinco anos, o investimento no laticínio será entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões. “O dinheiro sairá do resultado da própria Porto Alegre e de recursos dos sócios, que serão aportados nesse investimento e, caso tenha algum financiamento, poderemos utilizar também”, detalha Carneiro.
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Áreas das fábricas. Em Ponte Nova, onde a empresa nasceu, está a maior planta industrial do Laticínios Porto Alegre. “Temos uma área de 120 mil metros quadrados e temos 28 mil m² de área construída. Em Mutum, (na região do Rio Doce), onde está a segunda unidade, a área é de 60 mil m² com cerca de 10 mil m² de área construída. Em Antônio Carlos, temos uma área grande com 40 hectares de estrutura e temos capacidade de expansão”, diz.
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Desafios no Silemg. À frente do Sindicato da Indústria de Laticínios de Minas Gerais (Silemg) num segundo mandato até 2020, Carneiro diz que Minas é protagonista no setor de lácteos por ser o maior Estado produtor de leite. “Nosso desafio é unir Minas e unir o país. Temos que ter um setor forte e isso estamos conseguindo fazer junto com outras entidades do setor fora do Estado e continuar fortalecendo a união do setor. Outro ponto importante é mostrar para o consumidor a importância dos lácteos. Temos que começar a falar que os lácteos são bons, com isso, aumenta o consumo no país”, defende.