Delator da Odebrecht pede investigação sobre prova apresentada contra Lula

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – Não é apenas a defesa de Lula que pediu uma perícia em documentos apresentados pela Odebrecht como provas em uma ação penal na qual o ex-presidente é acusado de receber vantagens indevidas da empreiteira. Um dos delatores da empresa, Paulo Melo, também pediu uma investigação sobre um documento que supostamente leva sua assinatura, mas ele nega a autoria.

“Designado em 2010 pela Odebrecht para avaliação de imóveis para uma nova sede do Instituto Lula, o engenheiro Paulo Ricardo Baqueiro de Melo solicitou à Justiça realização de exame grafotécnico para negar a paternidade de um documento fornecido pela empreiteira à Operação Lava Jato como sendo de sua autoria”, informou a Folha desta quinta (21).

“Com o requerimento apresentado nesta terça-feira (19), o ex-diretor superintendente da Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) pretende provar que não é o signatário de uma anotação indicando uma conta no exterior de onde teria saído o dinheiro para a compra de um terreno na Vila Clementina”, acrescentou.

Segundo a reportagem, em um banco de dados da Odebrecht obtido no exterior surgiu um arquivo denominado “Paulo Melo x MO (Marcelo Odebrecht)”, com a data de 21 de setembro de 2010. “No arquivo, escrito à mão, há um bilhete com dados de uma empresa offshore e de uma conta no exterior. Sob as informações, a assinatura P Melo.”

O delator nega que essa seja sua assinatura. Mas, de acordo com a reportagem, se ficar atestado que o vínculo do engenheiro com o bilhete, ele pode perder benefícios do acordo de delação.

Isso porque Melo afirmou às autoridades que teria acompanhado Lula na visitia de avaliação de um imóvel comprado pela Odebrecht para o Instituto, mas negou que tenha cometido crime de lavagem de dinheiro. Ele reconheceu apenas que o imóvel seria escriturado por um valor R$ 3 milhões abaixo do o que foi pago, o que configura crime de sonegação.

O advogado André Damiani afirmou ao jornal que, dentro do departamento de propina da Odebrecht “nunca houve delegação para autorização de pagamentos”, logo, Melo não tinha poder para autorizar a remessa do dinheiro. “Esse exame grafoscópico vai comprovar o relato ofertado por ele no âmbito de sua colaboração”, disse o defensor.