Você não Enxerga a Guerra no Horizonte?, por Paul Craig Roberts

qua, 29/11/2017 – 12:24

Traduzido por Ruben Bauer Naveira

De acordo com o noticiário na imprensa britânica, o presidente da Rússia Vladimir Putin instruiu as indústrias da Rússia a se aprontarem de modo a estar aptas a fazer uma rápida transição para a produção de guerra.

Obviamente, o governo russo não faria tal anúncio a menos que estivesse convencido que o prognóstico de guerra contra o Ocidente fosse real. Já faz algum tempo eu venho enfatizando em meus artigos que a consequência de anos a fio de ações hostis adotadas por Washington e seus vassalos europeus contra a Rússia estava levando à guerra.

É fácil entender que o colossal complexo militar e de segurança dos Estados Unidos necessita de um inimigo convincente para justificar o seu enorme orçamento. É fácil entender que os neoconservadores loucos coloquem a sua ideologia fantasiosa acima da vida no planeta. E é fácil entender que Hillary e o Comitê Nacional Democrata farão qualquer coisa para reverter a vitória presidencial de Trump. No entanto, é difícil entender porque os líderes políticos europeus estão dispostos a colocar seus países em risco em benefício de Washington.

Ainda assim, é o que eles fazem. Por exemplo, em 13 de novembro a primeira-ministra britânica Theresa May disse que a Rússia era uma ameaça à segurança internacional, que estava interferindo em eleições europeias e que estava grampeando governos europeus. Não há evidência para estas alegações mais do que as há para o “Russiagate” [N. do T.: o alarido na imprensa nos Estados Unidos quanto a que a Rússia haveria interferido nas eleições americanas para favorecer Trump]. Ainda assim, tais alegações prosseguem e se multiplicam. Agora, a União Europeia está organizando antigas províncias da União Soviética – Bielorrússia, Moldova, Ucrânia, Geórgia, Armênia e Azerbaijão – numa “Parceria Oriental” com a União Europeia.

Em outras palavras, o Ocidente está abertamente organizando antigas províncias de Moscou contra a Rússia, designada pela primeira-ministra May como sendo um “estado hostil”. A Rússia sabe que não há base para essas alegações anti-Rússia, e as considera idênticas às falsas alegações contra Saddam Hussein, Kadhafi e Assad, feitas para justificar os ataques militares ao Iraque, à Líbia e à Síria. Uma vez tendo convencido a Rússia que ela está sendo tocaiada para um ataque, a Rússia está se preparando para a guerra.

Pense por um momento a respeito disso. O mundo está sendo levado ao Armagedom apenas porque um corrupto e ganancioso complexo militar e de segurança dos Estados Unidos precisa de um inimigo para justificar o seu gigantesco orçamento, porque Hillary e o Comitê Nacional Democrata não conseguem aceitar uma derrota política, e porque os neoconservadores têm uma ideologia de supremacia americana. Qual é a diferença entre a detestada supremacia branca [N. do T.: no original White Supremacy, uma suposta supremacia racial dos brancos] e a supremacia americana que o presidente Obama ele próprio alardeou? Por que a supremacia branca é terrível, enquanto que a supremacia americana é uma dádiva de Deus ao país “excepcional” e “indispensável”?

O governo russo partilhou abertamente a sua preocupação quanto a que a Rússia está sendo tocaiada para um ataque militar. Como eu reportei – já que a CNN, o The New York Times e o Washington Post não o fizeram – o vice-comandante do Comando de Operações Militares da Rússia externou publicamente a preocupação quanto a que Washington está preparando um ataque nuclear de surpresa contra a Rússia.  O presidente Putin chamou recentemente a atenção para a coleta por Washington de amostras de DNA de cidadãos russos para um laboratório de armamentos da Força Aérea dos Estados Unidos, o que significa o desenvolvimento de uma bio-arma específica contra a população russa. Por diversas vezes a Rússia chamou a atenção para bases dos Estados Unidos e da OTAN nas suas fronteiras, apesar das garantias manifestadas por sucessivos governos americanos que tal coisa jamais ocorreria.

Nós deveríamos perguntar a nós mesmos o porquê do fato de Washington ter convencido a Rússia, uma potência nuclear e militar de primeira linha, de que a Rússia será atacada não ser o principal tópico das discussões públicas e políticas. Em vez disso, nós ouvimos a respeito de jogadores de futebol americano que ajoelham durante o hino nacional, ouvimos fake news sobre o Russiagate, ouvimos sobre um tiroteio em Las Vegas, e por aí vai.

Nós também deveríamos perguntar a nós mesmos por quanto tempo mais Washington irá permitir que qualquer um de nós reporte pela internet notícias reais, em vez das fake news de que Washington se utiliza para controlar as explicações. O esforço do chefe da Comissão Federal de Comunicações para acabar com a neutralidade da rede, além de outros esforços em curso para descreditar notícias factuais como se propaganda russa fossem, indicam que Washington concluiu que, para fazer guerra à Rússia, Washington tem também que fazer guerra à verdade.

Washington não sobreviverá à sua guerra, nem tampouco sobreviverão as populações americana e europeia.

Paul Craig Roberts, acadêmico e especialista em geopolítica, foi o Subsecretário de Política Econômica do governo americano durante a presidência de Ronald Reagan

====================================

Por iG São Paulo * | – Atualizada às

 

O míssil balístico testado na manhã desta quarta (horário local) é uma versão sofisticada das ogivas lançadas nos últimos meses; o presidente sul-coreano expressou preocupação, enquanto Trump pediu mais investimentos militares

Kim Jong-un teria assistido ao lançamento realizado em um subúrbio da capital da Coreia do Norte
Wikimedia Commons

Kim Jong-un teria assistido ao lançamento realizado em um subúrbio da capital da Coreia do Norte

O governo da Coreia do Norte divulgou que o míssil lançado na manhã desta quarta-feira (horário local, noite de terça-feira em Brasília) pode atingir qualquer parte do território dos Estados Unidos.

Em um anúncio especial na TV estatal da Coreia do Norte , o regime informou que o teste realizado com o míssil balístico intercontinental foi bem-sucedido e que o “Hwasong-15” seria uma versão atualizada do “ICBMs” que foi lançado em julho deste ano.

Na mensagem anunciada horas depois do lançamento, a apresentadora Ri Chun-hee citou algumas aspas do presidente do país, Kim Jong-un, que teria afirmado: “agora, nós finalmente entendemos a grande causa histórica ao aperfeiçoar a força nuclear estatal, a causa de construir um foguete”.

Kim Jong-un teria assistido ao lançamento realizado em um subúrbio da capital Pyongyang. A agência de notícias oficial norte-coreana “KCNA” disse que o míssil é mais sofisticado que qualquer outro antes testado no país e que foi capaz de carregar uma “enorme e pesada ogiva nuclear”.

As informações sobre o novo lançamento norte-coreano ainda não foram verificadas, mas especialistas têm esperado que o país demonstrasse que possui todo o território norte-americano sob ‘sua mira e alcance’ – o que seria um desenvolvimento para fortalecer seu papel durante as negociações com Washington (sobre seu programa de armas nucleares).

Contudo, Pyongyang ainda não provou que tem, realmente, a capacidade de unir uma ogiva nuclear “miniaturizada” com um míssil balístico de longo alcance, e de enviá-lo em uma trajetória que atinja os Estados Unidos.

Repercussão

A Coreia do Sul e o Japão condenaram o governo de Kim Jong-un pelo mais novo lançamento que caiu no mar, em área próxima ao território japonês. A ação vem para trazer ainda mais tensão na península coreana – e, claro, entre os governos dos países envolvidos.

Somente em 2017, Pyongyang já lançou 20 mísseis balísticos , com pelo menos três sendo bem-sucedidos – depois de dois ICBMs no mês de julho. O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, expressou preocupação em torno da segurança regional, e de que a ação do país vizinho gere uma “espiral fora de controle”, levando os EUA a considerar realizar um “ataque preventivo”.

Pelo Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a liberação de financiamento para a área de segurança do país, após a confirmação de que o míssil chegou nas proximidades do Japão. “Depois do lançamento dos mísseis da Coreia do Norte, é mais importante do que nunca financiar nossos militares”, escreve. Os EUA, o Japão e a Coreia do Sul pediram ao conselho uma reunião de emergência, mas até a noite de ontem, o local e o horário ainda não tinham sido divulgados.  No entanto, o encontro deve acontecer hoje (29).

 *Com informações do jornal ‘The Guardian’ e Agência Brasil

 

Fonte: Último Segundo – iG @ http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2017-11-29/coreia-do-norte-missil.html