Lava Jato manipula perícia do sistema Odebrecht, apresentando apenas 2 HDs

A informação de que o Ministério Público Federal (MPF) pediu, finalmente, a perícia no sistema Drousys da Odebrecht (que registrava todas as operação do Departamentyo de Operações Estruturadas) contém duas inverdades:

1. O pedido só foi feito depois que a CPI da JBS deu todas as informações relevantes sobre o sistema.

2. A perícia será feita em cima de dois HDs e um pen drive, que seriam os equipamentos enviados pela Justiça Suíça.

Só um completo jejuno em informática imaginaria que um sistema complexo como o Drousys, que registrou milhares de transações, movimento bilhões de dólares, caberia em dois HDs e um pen drive.

O sistema completo tinha vários servidores. É impossível que o conteúdo coubesse em dois HDs e um pen drive.

No fundo, a Lava Jato sabe que caiu em uma esparrela.

Primeiro, obrigou os delatores da Odebrecht e delatar Lula. Era a condição essencial para a delação ser aceita.

Como delação tem que apresentar provas, e como não existiam as provas do que diziam, recorreram à falsificação dos extratos do Banco Meinl e do sistema de transações do Drousys.

O livro de Tacla Duran escancarou a armação. Em vez de considerar as novas provas, os bravos procuradores tratam, agora, de esconder o rinoceronte debaixo do tapete, e disfarçar que o rabo que ficou de fora é contracheque para Lula.

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MPF pede a Moro perícia em HDs de sistema de propinas da Odebrecht

Bernardo Barbosa – Do UOL, em São Paulo

Fernando Frazão – 7.jul.2016/Agência BrasilO coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol

O coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol

A força-tarefa da Operação Lava Jato no MPF-PR (Ministério Público Federal no Paraná) pediu ao juiz Sergio Moro nesta quinta-feira (7) a realização de uma perícia no equipamento que armazena uma cópia do sistema Drousys, usado pela Odebrecht para gerenciar o pagamento de propinas.

O pedido foi feito no processo em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é acusado de receber uma propina milionária da Odebrecht na forma de um terreno para o Instituto Lula –nunca usado pela entidade– e de um apartamento em São Bernardo do Campo (SP) usado há anos pelo petista e sua família. O pagamento seria uma contrapartida a uma suposta atuação de Lula para favorecer a Odebrecht em contratos com a Petrobras.

A defesa de Lula diz que o ex-presidente nunca teve a posse ou a propriedade dos imóveis, menos ainda em contrapartida a uma atuação dele na Petrobras.

A perícia solicitada pelo MPF diz respeito a dois HDs (discos rígidos) e um pen drive por meio dos quais os dados do Drousys foram enviados por autoridades suíças. Parte do sistema estava armazenada em servidores no país.

Os procuradores justificam o pedido dizendo que o material “guarda relação direta” com a perícia nos dados do Drousys determinada por Moro em setembro. Entre os objetivos do procedimento estão verificar a autenticidade das informações e encontrar eventuais registros relacionados ao terreno supostamente destinado ao Instituto Lula.

O resultado da perícia, que estava marcada para começar no dia 10 de novembro, ainda não foi entregue pela Polícia Federal. Quando informou a Moro a data de início dos trabalhos, a corporação não fez previsão de data para a conclusão das atividades.

Em agosto, com base em documentos obtidos por meio do Drousys e que estavam armazenados na Suécia, o MPF entregou à Justiça um relatório dizendo que a Odebrecht usou seu “setor de operações estruturadas” –na prática, um departamento para repasse de propinas– para pagar parte do terreno supostamente destinado ao Instituto Lula.

Lula questiona informações do sistema da Odebrecht

O pedido do MPF parece ser uma forma de rebater os questionamentos à integridade do Drousys feitos pela defesa de Lula. O ex-presidente abriu um processo, que corre em segredo de Justiça, no qual põe em dúvida a veracidade de documentos obtidos por meio do sistema.

Os advogados de Lula também têm feito pedidos reiterados a Moro para um depoimento do advogado Rodrigo Tacla Duran, ex-operador da Odebrecht, que tem questionado publicamente a confiabilidade das informações do Drousys.

Todos os pedidos para depoimentos de Duran foram negados por Moro. O advogado é réu na Lava Jato por lavagem de dinheiro; segundo o MPF, ele operou mais de R$ 55 milhões em propinas da UTC Engenharia para agentes públicos, especialmente dirigentes da Petrobras.

Duran mora na Espanha, país em que tem cidadania e está em liberdade provisória por decisão das autoridades locais. Ele também é investigado no país europeu por lavar dinheiro e repassar propinas milionárias.