‘Revelação divina’ de delegado substituto leva inocente ao inferno

Foto G1/Daniel Favero
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Jornal GGN – Nem Deus dá conta do que aconteceu. Depois de inocentado, Paulo Ademir Norbert da Silva foi solto, e foi solto depois de a polícia identificar que testemunhas foram manipuladas. Ele foi preso com acusação no caso da morte de crianças no Rio Grande do Sul. Em seu relato, o medo de ser envenenado na cadeia.
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Paulo passou mais de 20 dias preso. Diz que viveu um inferno, sofrendo, família em pânico, e ele sem dever nada. ‘Passar por um inferno, acabar com a tua vida…’. Agora Paulo precisa limpar seu nome perante a sociedade, pois que para muitos continua sendo ‘um monstro’, coisa que não é já que não fez nada.
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A investigação recomeça do zero com a descoberta de que os testemunhos foram falsos, informou o delegado titular Rogério Baggio na semana passada. A Justiça concedeu liberdade aos sete suspeitos que haviam tido a prisão preventiva decretada, dois ainda estavam foragidos.
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O decreto do delegado substituto, o da revelação divina, vai ser analisado pela Corregedoria da Polícia Civil. Moacir Firmino, o delegado em questão, afirmou que resolveu o caso da morte das crianças por meio de uma ‘revelação divina’.
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Paulo Norbert, empresário, conta que foi preso sem explicação, e ficou com medo de ser morto na cadeia por conta das acusações que lhe fizeram, sem base. Ele ficou seis dias na delegacia e depois foi para o presídio, ficando em uma galeria com mais 136 presos, nove presos em cada cela. Foi solto no último dia 7 por decisão judicial, a pedido da própria Polícia Civil, após investigação.
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Na esteira, uma pessoa foi presa preventivamente suspeita de induzir os relatos falsos que levaram à prisão de Norbert e mais quatro pessoas. A Corregedoria entra em cena para analisar a forma como o inquérito foi conduzido.
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Entrou no festival de insanidades contra ele a certeza de que participava de culto satânico, envolvido com Jair da Silva. Norbert e Jair fizeram alguns negócios, coisa normal, já que Jair vendia carro velho. Mas não conhecia os outros e nem fazia parte de nenhum culto, pois que católico sempre foi.
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Sobre os motivos que poderiam ter levado alguém a inventar tal história, Norbert entende que foi loucura, um absurdo, e nem tem o que dizer. ‘Matar criança. Quem é um monstro que mata criança? Eu tenho seis filhos, não tenho o que dizer, sou avô, tenho dois netos. É psicopata que faz isso’.
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O advogado de Norbert, Sérgio Campelo, diz que o principal é recuperar a imagem de seu cliente perante a sociedade. Ele teve dificuldade em acessar o inquérito, quando ainda estava nas mãos do delegado Moacir Firmino, o substituto do titular Rogério Baggio na Delegacia de Homicídios.
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Entende que a história só pode ser classificada como fantasiosa. ‘ouve envolvimento até de questões religiosas, o inquérito foi baseado em suposições, sem indícios. Tanto que a prisão foi decretada por causa de uma testemunha. E se analisarmos o processo, nada falava sobre a questão do nosso cliente’, disse ele.
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Com informações de O Globo.