Lava Jato teria fraudado endereço de Tacla Durán


Foto: Jaime Casal/El Pais
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Jornal GGN – A tentativa de ouvir o ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Duran sobre denúncia em que ele é acusado de lavagem de dinheiro estaria sendo fraudada pelas próprias autoridades da Justiça brasileira e de cooperação com a espanhola.
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A informação foi divulgada pelo advogado, após receber uma notificação de que o Ministério da Justiça espanhol não teria conseguido fazer a sua intimação oficial, por endereço incompleto. Dados como o número do apartamento e andar em que vive na Espanha foram omitidos dos arquivos da Justiça.
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Por outro lado, Durán afirma que as coordenadas de sua residência são de conhecimento das autoridades do país europeu, uma vez que a sua própria identidade traz o endereço. Por não ter sido encontrado, o Departamento de  de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça engavetou a possibilidade de ouví-lo na acusação.
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“Na qualidade de Autoridade Central para o caso em questão, comunicamos que referido pedido foi diligenciado, porém não cumprido pelas autoridades brasileiras, tendo em vista não ter sido possível a citação de Rodrigo Tacla Duran, conforme se depreende da documentação em anexo”, afirmou o departamento em ofício ao juiz Sérgio Moro.
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“Nesse sentido, na ausência de nova manifestação no prazo de 90 dias, o caso em apreço será remetido ao arquivo interno deste Departamento, nada obstando que, a qualquer tempo, Vossa Excelência formule novo pedido de cooperação ou adote outras providências julgadas pertinentes”, seguiu.
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Em resposta, Durán acredita que as autoridades brasileiras estariam tentando fraudar a citação. A equipe de defesa do advogado afirmou, em comunicado, que o “endereço estava incompleto, porque não mencionava o andar e o apartamento”, mas tais dados estariam presentes na carteira de identidade espanhola de Rodrigo, além de ser “o endereço onde vive sua mãe, o documento foi emitido muito antes da Lava Jato ser deflagrada”, completa.
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Tal erro teria sido cometido, segundo a defesa de Durán, porque o juiz da Vara Federal de Curitiba não solicitou às autoridades espanholas a checagem da residência, o que seria logrado facilmente. “O erro foi de quem não realizou a checagem recomendada por Moro, provavelmente a Cooperação Internacional”, ressaltou.
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Ainda, lembrou que as datas são suspeitas para a alegação dos investigadores brasileiros: cinco dias depois da tentativa frustrada de citação, o advogado compareceu a um juízo espanhol para prestar esclarecimentos. Na ocasião, os procuradores da Lava Jato afirmaram que estariam presentes, mas “não compareceram e nem justificaram a ausência, o que levou o juiz a decidir pelo indeferimento”.
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“Rodrigo Tacla Duran foi citado para comparecer a esta audiência no dia 6 de novembro, quase um mês antes (conforme documento em anexo), desta vez no endereço certo. Como é que numa rogatória ele é citado no endereço correto e, em outra, o endereço está errado?”, questiona a defesa.
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Por fim, os advogados explicam que se Tacla Durán não tivesse o endereço conhecido da Justiça não poderia ter respondido ao processo de extradição em liberdade, além de não poder ser tratado como foragido, uma vez que não foi condenado, nem no Brasil, nem na Espanha e tem o lugar de residência conhecido.
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Fui chamado na Lava Jato para “fechar história”, diz delator

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Depoimento reforça tese de que investigadores estariam com dificuldades de coletar dados confiáveis do Drousys; Ex-diretor da Odebrecht disse que foi chamado por procuradores para procurar valores para validar dados de inquéritos movidos pelo MPF  
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(Foto Agência PT / Lula Marques) 
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Jornal GGN – Em depoimento prestado para a Lava Jato no dia 23 de fevereiro, o ex-diretor da Odebrecht Fernando Migliaccio disse que foi chamado pelos procuradores da operação para “tentar fechar uma história”.
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A declaração foi feita durante uma série de perguntas de Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente Lula, que chegou a ser interrompido por Sérgio Moro. “Doutor, nós vamos chegar a algum lugar com essa inquirição, porque nós estamos rodeando, rodeando e estamos chegando aonde mesmo?”, contra-argumentou o juiz que coordena a Lava Jato.
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Zanin perguntou para Migliaccio se sabia da origem dos documentos que avaliou junto ao Ministério Público Federal, no âmbito de seu acordo de delação premiada, se tinham sido extraídos do Drousys, sistema de informática para comunicação do setor de propinas da Odebrecht.
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“Não, não me disseram. Mas pelo e-mail que eu vi, que eu mexi, tive chance de procurar a informação que eles queriam, eu pude observar que os e-mails eram realmente do Drousys”. Em seguida Zanin questionou se os procuradores pediram informações mais específicas, como quem seria o beneficiário dos valores encontrados na planilha do Drousys.
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“Eles queriam que eu achasse alguns depósitos para uma conta no exterior”, respondeu o ex-executivo, quando Sérgio Moro fez a interrupção. Após justificar as questões e dizer que estava finalizando, Zanin se voltou para Migliaccio com a mesma pergunta, tendo como resposta:
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“A busca foi por uns valores que eles tinham, e que tinham uma confusão ou uma linha de investigação de valor, de parcelas de alguns valores, que a gente tentou descobrir as datas, a correspondência de valor de dólar pra real, pra tentar fechar uma história.”
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Zanin reitera a pergunta: “Pra tentar fechar uma história, é isso?”, escutando como resposta final um fatídico “sim”, do ex-diretor.
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O depoimento de Migliaccio também reforça a tese de que os investigadores da Lava Jato estariam com dificuldades de coletar dados confiáveis do Drousys, entregue para a Polícia Federal com adulterações identificadas por um laudo técnico da própria PF.
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Isso ficou patente quando respondeu às perguntas do advogado de Lula sobre o acesso ao sistema e quais dados teria extraído da plataforma quando selou o acordo de delação premiada com o Supremo Tribunal Federal no âmbito da Lava Jato.
“Não, eu não entreguei nada [do sistema Drousys]”, respondeu. “Só tive acesso ao Drousys quando fui chamado para esclarecer uma dúvida, aqui no Brasil”, explicou completando em seguida que nunca teve acesso direto ao sistema, mas a e-mails apresentados pelo Ministério Público Federal, mesmo após iniciar a colaboração com a Justiça.
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“Eles [os procuradores] não me deram acesso total pra ficar mexendo, vasculhando ou verificando o ambiente, né? Mas do pouco que eu tive acesso, me parecia também, eu não posso afirmar, me parecia informações extraídas de algum lugar”, disse, arrematando mais adiante:
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“Mas, pelo e-mail que eu vi, que eu mexi, tive chance de procurar a informação que eles queriam, eu pude observar que os e-mails eram realmente do Drousys”, completou.
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Entenda
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Migliaccio é um dos mais de 70 ex-executivos da Odebrecht que selaram acordo de delação premiada no STF. Ele foi detido em fevereiro de 2006 pelas autoridades da Suíça a pedido da justiça brasileira no contexto da operação Acarajé, a 23ª fase da Lava Jato, que também deteve o marqueteiro João Santana e a esposa, Monica Moura.
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Migliaccio atuou no Antígua Overseas Bank (AOB), banco que cuidava das contas da empreiteira fechado em 2010. Logo após liquidar o AOB, o grupo de executivos responsáveis pelo banco comprou 67% da participação societária do Meinl Bank, de Viena, com o objetivo de operar as contas encerradas do Antígua.
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No depoimento mais recente, do dia 23 de fevereiro, o ex-executivo pontua que todo o material que detinha enquanto estava na Suíça “foi apreendido” pelas autoridades daquele país e enviado ao Brasil.
O Ministério Público da Suíça também encomendou uma perícia para a empresa especializada em analisar dispositivos eletrônicos, a Forensic Risk Alliance (FRA), com o objetivo de avaliar a honestidade dos dados então disponíveis no Drousys.
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Assim como a Polícia Federal no Brasil, a FRA identificou que houve manipulação de arquivos pela Odebrecht antes mesmo de entregar o material para as autoridades suíças.
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