FHC confirma a Moro que recebeu doações de empresas para manter acervo

O ex-presidente tucano também afirmou não ser “um constrangimento” ser contratado por empreiteiras para dar palestras
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Foto: Reprodução
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Jornal GGN – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso prestou depoimento como testemunha de defesa do ex-presidente Lula sobre a ação que investiga o suposto pagamento de propina como reforma no sítio de Atibaia pela OAS. Ao juiz Sérgio Moro, FHC confirmou que recebeu doações de empresas privadas para auxiliar na manutenção e armazenamento do acervo presidencial.
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“Isso está tudo registrado. E no meu caso, falamos em Fundação, porque o promotor da Fundação é que controla. (…) Está tudo registrado, a receita, a reserva, com toda a clareza necessária”, disse o ex-presidente FHC.
Sobre as palestras remuneradas, das quais o ex-presidente confirmou também realizar, o advogado Cristiano Zanin Martins questionou a opinião de FHC sobre o que ele achava ser contratado por empreiteiras. “Não vejo constrangimento”, disse.
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“Eu não me recordo de alguma empreiteira ter me contratado para fazer palestra, mas eu tenho feito para, não sei quem, para muita gente no Brasil, no exterior, toda a parte. Com uma condição, elas são públicas. Eu vou lá, faço a palestra, digo o que eu penso, as vezes é debate. Não vejo constrangimento se for [de empreiteiras que contratarem], a menos que seja fora da lei. Tudo o que for dentro da lei e que obedeça o que for requerido”, manifestou.
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A acusação que recai contra Lula na ação sobre o sítio Santa Bárbara, em Atibaia, de propiedade do ex-prefeito de Campinas, Fernando Bittar, e Jonas Suassuna, é que Lula teria recebido a reforma em um espaço do terreno para armazenar o acervo presidencial como forma de pagamento de propina calculada pelos procuradores em R$ 1 milhão da OAS, Odebrecht e Schahin.
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“Eu vou dizer o que eu acho, as pessoas podem perguntar depois o que quiserem, tudo bem. Também lá no Instituto eu tenho uma coisa que se chama ‘Diálogo com o Presidente’, já falei com mais de 6 ou 7 mil jovens. Então é assim, palestra é a mesma coisa, então tem o mercado”, completou sobre ter público para ser contratado por prestar palestras.
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Moro fica incomodado com elogios de Bono Vox a Lula: propaganda inapropriada, diz

“Depois da morte de Nelson Mandela, só existe no mundo uma pessoa capaz de juntar ricos e pobres, pretos e brancos, gordos e magros. E essa pessoa se chama Luiz Inácio Lula da Silva.” 

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Jornal GGN – O juiz da Lava Jato Sergio Moro ficou incomodado com a audiência do jornalista Fernando Morais no processo em que Lula é acusado de receber propina de empreiteiras associadas à Petrobras. Parte da denúncia coloca em xeque as palestras que Lula fez, em parte, com patrocínio empresarial.
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Morais, que vem escrevendo um livro sobre o ex-presidente, contou a Moro que acompanhou Lula em 18 viagens internacionais. Em uma delas, a Londres, Lula recebeu a visita de Bono Vox, ocasião em que foi comparado pelo cantor a Nelson Mandela. Moro ficou incomodado com os elogios e taxou os relatos do jornalista de propaganda inadequada.
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Por volta dos 11h40 do vídeo, Moro começa a demonstrar impaciência com o depoimento de Morais e pede para que o jornalista seja mais breve e objetivo nas respostas. “Com todo o respeito, não precisa se alongar nas histórias.”
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Na sequência, a defesa de Lula emenda uma pergunta sobre um episódio em especial, o encontro com Bono Vox em Londres.
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“O presidente foi a Londres convidado para fazer palestra para empresários. Às vezes ele ia convidado por empresários e às vezes por trabalhadores [na África do Sul, o convite partiu de sindicatos]. (…) Depois do almoço, estávamos no hotel conversando e chegou Bono Vox para fazer visita a ele. Conversaram. Na hora em que o Bono Vox foi embora, o presidente perguntou se eu poderia fazer a delicadeza de acompanhá-lo até a saída do prédio. Eu disse sim. Havia ali uma centena de repórteres, mais por causa do Bono do que por Lula. Os repórteres perguntaram para ele o que achou da conversa com Lula. E Bono disse uma frase que ficou muito marcada na minha memória, que foi a seguinte: Depois da morte de Nelson Mandela, só existe no mundo uma pessoa capaz de juntar ricos e pobres, pretos e brancos, gordos e magros. E essa pessoa se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Por se tratar não de um cientista político nem de um teórico mas cantor de rock, aquilo me impressionou muito”, respondeu Morais.
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“Mas essa questão é relevante para o caso por qual motivo?”, perguntou Moro. O advogado Cristiano Zanin respondeu: “Nós estamos falando da reputação de um acusado.”
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Moro retrucou: “Não, não estamos falando de reputação. Existe uma acusação a ser julgada… Não é apropriado [ceder espaço a elogios para Lula]”, anotou Moro.
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O juiz ainda disse que “a defesa pode fazer essas questões meritórias em relação ao ex-presidente fora do processo, não precisa ser aqui, em audiência. (…) Essa questão não tem nenhuma relevância para o julgamento”, cravou Moro.
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Zanin tentou argumentar que a questão era importante para o processo porque as palestras que Lula deu ao redor do mundo estão diretamente ligadas à sua credibilidade e reputação, e perguntou a Moro se ele estava incomodado com algo. “Não incomoda, doutor, só acho que o processo não deve ser utilizado para esse tipo de propaganda. “
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Sentindo-se ofendido, Fernando de Morais pediu para usar a palavra, ao que Moro, duramente, respondeu: “Não, o senhor responde as perguntas que forem feitas.”
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O jornalista obedeceu mas, visivelmente, indignado, voltou à baila com a questão da “propaganda” e “repudiou” a fala de Moro. Morais reforçou que seu trabalho, em parceria com a editora Companhia das Letras, é jornalístico e sério, muito longe de ser “chapa branca”. Ele afirmou que não colocaria em xeque uma carreira sólida e de mais de 50 anos no jornalismo para fazer “propaganda” de um ex-presidente.
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No depoimento, o jornalista ajudou a desmontar as acusações da Lava Jato em Curitiba.
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Ele relatou que Lula proferiu, de fato, todas as palestras que foram solicitadas no exterior. Morais afirma que, para seu livro, fez o registro em áudio e vídeos e acompanhou todos os eventos.
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O jornalista também afastou a ideia de que Lula usava as reuniões com autoridades estrangeiras para praticar tráfico de influência, afirmando que acompanhou o petista em todas as conversas com chefes de Estados e outros poderosos e, em nenhum momento, foi solicitado a ele que se retirasse do local dos encontros.
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Assista ao vídeo abaixo.
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