27-06-2018, 20h52

Marco Aurélio tem razão ao criticar Cármen Lúcia

Diz nunca ter visto maior manipulação da pauta

KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

Os ministros Edson Fachin e Gilmar Mendes deram declarações hoje para tentar colocar panos quentes nos embates na 2ª Turma do STF, num contraste com o clima de guerra nos bastidores do Supremo Tribunal Federal.

Mas Marco Aurélio Mello bateu duro na presidente da corte, Cármen Lúcia. Ele criticou “a manipulação da pauta” do tribunal falando mais uma vez da recusa da ministra em rediscutir a possibilidade de prisão após decisão condenatória de segunda instância, tema que é objeto de processos já liberados para julgamento por Marco Aurélio.

“A ministra Cármen Lúcia, que define a data para julgamento, está com a palavra. Sem dúvida alguma, tempos estranhos. Estou aqui há 28 anos e nunca vi manipulação da pauta como esta”, afirmou.

Ele tem razão. Cármen Lúcia ajudou os senadores Aécio Neves (PSDB) e Renan Calheiros (MDB) ao pautar determinados processos e prejudicou o ex-presidente Lula (PT) ao decidir julgar um habeas corpus antes das Ações Declaratórias de Constitucionalidade relatadas por Marco Aurélio Mello.

A dinâmica implementada por Cármen Lúcia na sua presidência acentuou o clima de guerra interna que já existia na gestão anterior, de Ricardo Lewandowski. Acontece que agora esse confronto é mais aberto, mais grave e provoca maior insegurança jurídica.

Numa ótima análise na “Folha de S. Paulo”, intitulada “O império da insensatez”, Rubens Glezer avalia que Cármen Lúcia fez gestão minúscula, transformando o STF em stf.

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Sentiu o golpe

Ao dizer que deixa a ideologia fora do gabinete ao julgar, Fachin responde à crítica de que também prejudicou Lula ao jogar para o plenário análise que deveria ser feita pela 2ª Turma do STF.

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