Festival Lula Livre, por Pedro Leal Junior

Foto: Ricardo Stuckert

Por Pedro Leal Junior

Intenso, efervescente, dinâmico. Foi assim o Festival Lula Livre. A música não parava. As trocas de músicos foram as mais rápidas e eficientes que já vi em um festival dessa magnitude. A repórter entrava em cena atropelando a música e euforicamente conversava com alguns dos corajosos artistas participantes. Mas logo, a música invadia a entrevista e o festival engolia novamente a todos presentes e espectadores.

Os valentes técnicos de som e imagem tentavam inutilmente acompanhar aquela dinâmica eufórica. Mas a falha técnica era quase que inevitável. E o imenso público, que estava como que hipnotizado, inebriado, por aquela dinâmica, explodia pela sensação de estar perdendo momentos inestimáveis.

As músicas flutuaram entre o MPB, Samba, pagode, Funk, baião, forró, etc. Só não compareceu o sertanejo universitário, que acredito eu, já tenha se formado e mudado para Portugal ou Miami. Foram mais de 6 horas ininterruptas que, para o espectador, pareceram minutos.

Mas a tensão musical não foi constante. Não, ela foi num crescente, num caminho para um final apoteótico.  Acreditei que o público, não esperaria mais. Sairia da Lapa diretamente para destroçar a Bastilha.

Mas não… a música parou. Ficamos como que abandonados em um coito interrompido.

Não queremos simplesmente ir para casa e dormir. Queremos continuar a luta. Queremos libertar Lula e trazer a democracia de volta. E com ela, nosso futuro.

Percebo agora, que toda a euforia do festival, toda velocidade e dinâmica do festival, se deve, só, e somente só, a ansiedade de todos ali presente e espectadores em ir à luta. Claro que a competência dos organizadores permitiu que os músicos bailassem em cena. Mas foi a angustia contida, a raiva engolida, a gota d’água que está caindo, mas ainda não alcançou o copo, que transformou o balé em baile funk.

Agora, não há como nos parar. Agora, não vamos dormir. Agora vamos para os campos de batalha.

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Lula: Quando a sociedade calou diante de barbaridades, os artistas lembraram que amanhã vai ser outro dia

Foto: Ricardo Stuckert

“Queridos artistas, estudantes, trabalhadores, meus queridos amigos reunidos nesse sábado,

Eu só posso agradecer a solidariedade de vocês.

Quantas vezes, quando a sociedade calou diante de barbaridades, foram os nossos músicos, escritores, cineastas, atores, dramaturgos, dançarinos, artistas plásticos, cantores e poetas que vieram lembrar que amanhã há de ser outro dia?

Que ousaram acreditar em esperanças equilibristas e em flores vencendo canhões.

Que se rebelaram contra o “Cale-se!” imposto pela censura, gritando que era proibido proibir.

Que disseram que o povo da favela só quer ser feliz e andar com tranquilidade e consciência.

Que denunciaram o sofrimento de quem sai do nordeste expulso não pela seca, mas pela miséria e ganância dos coronéis.

Ou que eram expulsos de sua casa e vê ela ser demolida para passar “o progresso” que não inclui o trabalhador, como cantou Adoniram.

Os que sempre estiveram onde o povo está, e que agora, nesta que é mais uma página infeliz da nossa história, se juntam novamente ao povo brasileiro para soltar a voz em nome da liberdade.

Onde querem silêncio, seguiremos cantando.

Vocês não sabem quantas vezes a música, os livros, a arte, tem me ajudado a atravessar essa provação, que não é maior que a de tantos pais e mães de família brasileiros que hoje não sabem como irão trazer comida para casa. É em nome deles que não podemos desanimar jamais

Porque a gente ainda vai festejar, e muito. A alegria, a liberdade e a justiça de um povo que não tem medo e que não se entrega não.

Muito obrigado pelo carinho de vocês.

Aquele abraço!
Luiz Inácio Lula da Silva”