Cresce especulação sobre PT e Bolsonaro no 2º turno

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Jornal GGN – É destaque na Mônica Bergamo nesta segunda (13) que “bancos de investimentos e grandes administradoras de fundos fizeram cruzamentos de dados, sondagens e análises e passaram a considerar, a sério, a hipótese de um segundo turno entre Jair Bolsonaro e o candidato do PT.”
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“A crença, acompanhada de certo temor, é a de que, mesmo com toda a provável sequência de ataques contra Bolsonaro, o eleitorado siga firme ao lado dele”, explicou a jornalista.
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A coluna não informa quais dados estão sob análise dos agentes do mercado. Mas a tese vai ao encontro do artigo publicado na Carta Capital pelo pesquisador Marcos Coimbra, do Instituto Vox Populi, no último final de semana.
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Coimbra avalia que os ataques ao PT parecem só ter reforçado a candidatura de Lula. Enquanto isso, ainda não há nada indicando que Geraldo Alckmin (PSDB) conseguirá vencer o desafio inicial desta eleição, que é desbancar o candidato do PSL, que até o momento é o segundo colocado nas pesquisas de opinião – quando não, lidera as intenções de voto em cenário sem Lula.
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Lula vence no primeiro turno e Haddad chega ao segundo, avalia Marcos Coimbra

Cientista Político do Vox Populi conclui que acusações contra Lula funcionam como combustível à sua candidatura 
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Foto de Ricardo Stuckert
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Jornal GGN – Em artigo para a Carta Capital, o cientista político da Vox Populi, Marcos Coimbra, avalia que as acusações sofridas pelo ex-presidente Lula estão funcionando como combustível aumentando seu eleitorado. A cada nova pesquisa de opinião, a simpatia pelo petista aumenta. “Do lado inverso, nunca foi tão pequeno o antipetismo, hoje na casa de 25% da opinião pública, depois de haver alcançado 40%, completando:
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“Na etapa que terminou, há pouca dúvida de que o grande vencedor foi Lula. Ganhou ao fazer com que o sentimento de esquerda, definido de forma ampla, tenha uma representação unificada, apesar de permanecerem as candidaturas de Guilherme Boulos, pelo PSOL, e do PSTU”.
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Para Coimbra, Lula tem grandes chances de vencer no primeiro turno, caso consiga chegar às urnas. Por outro lado, conseguirá realizar a transferência de votos para o ungido.  
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“Caso seja impedido, a candidatura de Fernando Haddad e Manuela d’Ávila, em uma coligação do PT com o PCdoB e partidos menores, sem a divisão que Ciro significaria, é favorita a terminar o primeiro turno na frente”. O analista indica Bolsonaro como o principal adversário da esquerda, portanto que o PSDB, DEM e MDB fracassaram na tentativa de apresentar um candidato capaz de representá-los, mesmo com o discurso contínuo para revestindo-se como alternativas do centro político.
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Coimbra também considera a candidatura de Ciro levou a um risco de fragmentação da frente de esquerda. “Quem mais torcia pela candidatura de Ciro Gomes eram aqueles que desejavam que a esquerda chegasse à eleição do mesmo modo que a direita: fragmentada, mais que dividida (…) Achou que havia à disposição um espólio sem herdeiro e que suas qualidades pessoais o habilitavam a reivindicá-lo. Errou, apesar da simpatia com que foi visto por muitos progressistas, apreensivos com o que poderia vir a ser o ‘PT sem Lula‘”. Leia a seguir o artigo na íntegra.
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POR MARCOS COIMBRA, presidente do Instituto Vox Populi

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As peças principais foram colocadas no tabuleiro e daqui a dois meses saberemos quem foi mais habilidoso na montagem de sua estratégia. Na etapa que terminou, há pouca dúvida de que o grande vencedor foi Lula. Ganhou ao fazer com que o sentimento de esquerda, definido de forma ampla, tenha uma representação unificada, apesar de permanecerem as candidaturas de Guilherme Boulos, pelo PSOL, e do PSTU. As pesquisas mostram que a vasta maioria de seus eleitores não hesitaria em apoiar esse representante, mesmo ainda no primeiro turno, se percebesse que era preciso.
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Quem mais torcia pela candidatura de Ciro Gomes eram aqueles que desejavam que a esquerda chegasse à eleição do mesmo modo que a direita: fragmentada, mais que dividida. Ninguém questiona os méritos do pedetista, mas, em retrospecto, o que se percebe é sua incapacidade de reconhecer a força do enraizamento popular da liderança de Lula e a densidade social do PT. Achou que havia à disposição um espólio sem herdeiro e que suas qualidades pessoais o habilitavam a reivindicá-lo. Errou, apesar da simpatia com que foi visto por muitos progressistas, apreensivos com o que poderia vir a ser o “PT sem Lula”.
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O que verificamos é que Lula permanece vivíssimo, apesar da prisão. Continua a ser avaliado como o melhor presidente de nossa história e aquele em cujo governo a vida mais melhorou. É o político mais querido e com atributos mais admirados na atualidade, muito à frente de qualquer outro. A maioria das pessoas gosta dele por motivos pragmáticos (“o bolso”) e emocionais (“o coração”).
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A constatação de que alguém assim está preso, por motivos fúteis, ao cabo de um processo que a grande maioria considera “político e não jurídico”, é de tal forma estranha que as pessoas supõem que o descalabro será consertado “assim que terminar a eleição”. Imaginam, com certa razão, que, se a única motivação da prisão foi tirá-lo da urna, tão logo acabe, o despropósito se solucionará.
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Os sucessivos atos vistos como injustos e persecutórios de magistrados de todos os níveis, promotores e policiais, só reforçaram, desde o início do ano, a ligação entre a maioria da população e o ex-presidente. Ao contrário do que temia a esquerda, desejava a direita (e calculava Ciro Gomes), a caçada e a prisão não prejudicaram a imagem de Lula.
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No que se refere ao PT, a consequência disso é um inédito crescimento das simpatias e identidades. Nunca, a não ser no auge do segundo governo Lula, foi tão expressiva a parcela “petista” na sociedade e a propensão a votar no PT está no nível de 2010, quando Dilma Rousseff venceu. Parece que de nada adiantou o tiroteio dirigido pela imprensa conservadora, em especial pelas empresas do Grupo Globo, contra o partido.
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Do lado inverso, nunca foi tão pequeno o antipetismo, hoje na casa de 25% da opinião pública, depois de haver alcançado 40%. É tentador dizer que, de tanto querer exterminar o PT, a aliança conservadora acabou por fortalecê-lo.
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Com Lula, a esquerda tem tudo para vencer a eleição no primeiro turno. Caso seja impedido, a candidatura de Fernando Haddad e Manuela d’Ávila, em uma coligação do PT com o PCdoB e partidos menores, sem a divisão que Ciro significaria, é favorita a terminar o primeiro turno na frente.
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No segundo, seu adversário mais provável continua a ser Jair Bolsonaro. Chegam a ser cômicas as contas que os marqueteiros tucanos andam fazendo, de que Geraldo Alckmin tem votos a buscar no eleitorado bolsonarista, pois seria a “segunda opção” de um terço dele. Ainda que conseguisse a proeza de conquistar quem já o conhece e o descartou ao compará-lo a um direitista mais autêntico e combativo, continuaria atrás do capitão.
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Ele e o ex-governador resolveram disputar o campeonato de ultradireitismo, procurando companheiros de chapa ainda mais conservadores. O que fizeram foi criar complicadores para o antipetismo menos furioso, obrigando-o a votar em anacronismos como os que inventaram.
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Bolsonaro, tão à frente de Alckmin como está, pode ignorar a necessidade de crescer agora e manter sua aposta de que receberá o voto antipetista no segundo turno. A seu modo, foi mais hábil que o paulista na montagem do jogo.
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Léguas adiante de todos, o grande mestre foi Lula.