WhatsApp exclui contas que divulgaram mentiras em massa para prejudicar Haddad

Empresa anunciou que realiza investigação sobre o esquema e já teria banido contas envolvidas no disparo intenso de mensagens. “Meu WhatsApp, com milhares de grupos, foi banido”, diz filho de Bolsonaro
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por Redação RBA publicado 19/10/2018 15h39, última modificação 19/10/2018 17h09
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Vanessa Ataliba/Brazil Photo Press/Folhapress
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Flávio e Jair Bolsonaro, negaram relação com a denúncia, mas hoje o primeiro teve a conta banida do WhatsApp

aSão Paulo – O WhatsApp anunciou que baniu hoje (19) as contas associadas às empresas que faziam parte do esquema de disparo em massa de mensagens para prejudicar a campanha do candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT), em benefício de Jair Bolsonaro (PSL). O caso foi denunciado ontem pelo jornal Folha de S. Paulo. “Estamos tomando medidas legais para impedir que empresas façam envio maciço de mensagens no WhatsApp e já banimos as contas associadas a estas empresas”, informou a empresa.

O WhatsApp também notificou as agências Quickmobile, Yacows, Croc services e SMS Market para que não realizem mais envios de mensagens em massa e que parem de utilizar números de celulares forjados, obtidos pela internet. A prática permitia burlar regras da plataforma e aumentar o alcance dos grupos na rede social. A medida tomada pelo WhatsApp confirma a denúncia feita pelo jornal.

Segundo a reportagem, empresários apoiadores de Bolsonaro pagaram até R$ 12 milhões para que as empresas enviassem mensagens em massa no WhatsApp para difamar o PT e seu candidato, Fernando Haddad. A prática é ilegal. Se comprovada, configura ao menos duas irregularidades: doação de campanha por empresas, que é proibida pela legislação eleitoral, e caixa dois, já que os valores não foram declarados. A campanha do PSL diz ter gasto apenas R$ 1,7 milhão até agora. A agência AM4, que presta serviços à campanha de Bolsonaro, está sendo investigada pelo WhatsApp.

Ontem, a campanha de Haddad e o PDT, partido de Ciro Gomes, apresentaram denúncia na Justiça Eleitoral contra a campanha de Bolsonaro. A ação terá como relator o ministro Jorge Mussi, corregedor-geral eleitoral. O partido se reúne hoje à tarde com a presidenta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, para cobrar providências. Ontem, o candidato do PSL já havia admitido que recebia apoio de empresários, mas que não tinha como controlar o que estava sendo feito.

O senador eleito Flávio Bolsonaro, filho do candidato a presidente pelo PSL, anunciou em suas redes sociais que também teve sua conta banida. “Meu WhatsApp, com milhares de grupos, foi banido do nada, sem nenhuma explicação. Exijo uma resposta oficial da plataforma”, escreveu. A empresa explicou que a conta dele havia sido excluída por “comportamento de spam”, quando há envio de muitas mensagens repetidas, mas que o caso não se relacionava ao das empresas.