A água e o complexo de vira-lata, por Paulo Kliass

 Bolsonaro descohece os avanços tecnógicos do Brasil

Bolsonaro desconhece os avanços tecnológicos do Brasil

Paulo Kliass: A água e o complexo de vira-lata

Do Portal Vermelho

Mal encerramos o período festivo do final de dezembro e o capitão nos brinda com mais uma de suas trapalhadas. Bem ao seu estilo de se apresentar com propostas supostamente inovadoras na forma e no estilo, ele vem a público falar de algo que não conhece ou a respeito do qual está sendo muito mal assessorado. Como aconteceu em uma série de oportunidades anteriores, mais uma vez ele poderia ter ficado bem caladinho. O País agradeceria, emocionado.

Bolsonaro provavelmente achou que iria marcar seu primeiro gol de placa. Em sua visão estreita e limitada, os ingredientes seriam perfeitos para uma fala de sucesso. Reuniria elementos diversos, tais como: i) um futuro ministro astronauta; ii) um país com o qual ele pretende aprofundar relações diplomáticas e comerciais; iii) uma região do Brasil onde ele perdeu as eleições e onde pretende se recuperar politicamente.

Bingo! Só que não! Faltou combinar com os russos, como diria o saudoso Mané Garrincha para o técnico da seleção brasileira de 1958, o Feola.

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Com a maior reserva hídrica do mundo, Brasil quer pagar royalties de água


Usina de dessalinização Sorek, em Tel Aviv, Israel – Foto: Divulgação

Por Rogério Maestri

O país que tem a maior reserva hídrica do mundo pagando royalties para ter água!

Tem alguma vantagem de se ter um presidente burro? Além das piadas que ele vai gerar enquanto estiver no poder, nenhuma!

Pois a primeira grande piada é a dessalinização como solução para a falta de água no Nordeste, uma ótima piada, porém uma piada de tremendo mal gosto, pois pela primeira vez no mundo o país que de longe possui a maior reserva hídrica do mundo poderá começar a pagar royalties para outro país que o déficit hídrico é imenso.

Pois Bolsonaro, encantado pelas soluções maravilhosas da grande tecnologia do Estado de Israel em dessalinizar água do mar para o consumo de um é simplesmente uma questão de vida e morte pois o país na realidade não tem água.

O processo empregado em Israel, de osmose reversa, é um processo foi concebido por Jean-Antoine Nollet em 1748, e vem sendo pesquisado em processos industriais desde 1950 nas Universidades da Califórnia em Los Angeles e na Universidade da Flórida. Quem começa a utilizar a nível industrial foi a cidade de Cape Coral, Flórida em 1977 e atualmente produz mais de 56.000 m³ de água por dia. Atualmente Israel possui as maiores plantas de dessalinização do mundo, a planta de dessalinização da empresa Sorek produz um volume de 624.000m³/dia, que resulta numa vazão de 7,22 m³/s.

Mas o mais importante seria a comparação entre o custo do metro cúbico da água do adicional que a transposição implica nos custos da água em comparação com a água dessalinizada.

Supondo que o preço da água do projeto do Projeto da empresa Sorek israelense, fosse transferido para o Brasil, sem levar em conta os custos de royalties e lucro da própria empresa, em Israel, com todos os subsídios governamentais, com taxas de juros muito mais baixas que são cobradas em Israel (algo significativo para projetos de longo prazo) e sem outros problemas cambiais, o custo em Israel é de 0,5EUR/m³ (dado European Investment Bank), se fizermos as mesmas considerações que foram feitas Controladoria Geral da República, de uma inadimplência de 50%, impostos de 25% e perdas de energia elétrica, somando a isto uma perda de água de no mínimo 30%, praticamente inexistente em Israel, teríamos um custo por metro cúbico de água para a Paraíba (onde o custo é mais alto) de 1,625EUR/m³, ou seja, na taxa de hoje (25/12/2018) de R$7,23 por m³, como na Paraíba a água é cobrada R$2,98, significa que sem mesmo considerar outros custos, que denominaremos custo Brasil, a mais barata água dessalinizada do mundo é no mínimo duas vezes e meia mais cara do que a água convencional e cara brasileira.

Porém há ainda algo mais sério, a total ignorância que o futuro governante brasileiro e seu ministro astronauta tem do que já ocorre no nosso país. A consultora técnica norte-americana, Dow Water Solutions, que simplesmente ajuda a expansão das redes de dessalinização para regiões longe do mar, já ajudou a instalar nada menos nada mais de 508 unidades dessalinizadoras para estados do Nordeste e Minas Gerais para água salobra (que tem um custo muito mais baixo do que água salgada do mar). Já a cidade de Fortaleza está num estágio avançado na composição de uma PPP para e instalação até 2020 uma unidade de dessalinização com a capacidade de 1m³/s.

O nosso bobo alegre presidente, junto com seu ministro astronauta, parece que nem sabem a onde é o nordeste, e numa pirotecnia que pode custar muito caro ao país, ficam encantados com as promessas de seu novo aliado mais chegado, o governo de Israel, que simplesmente deve ter falado qualquer coisa, para quem não entende nada de nada, que eles tem a solução miraculosa, e chegam a aplicar a imensa mentira que esta água serviria para a agricultura, algo que na realidade produziria hortifrutigranjeiros com um preço no mínimo dez vezes os preços em qualquer banca de verduras em qualquer parte do Brasil.

Para quem não sabe as vantagens de ter um presidente burro, já vou avisando, exceto as piadas, nenhuma, porém as desvantagens são milhares e cada uma custando ao bolso dos brasileiros.

PS: Até me esqueci, para esta água israelense, pagaremos royalties pelo o uso de suas membranas para a osmose inversa.

 

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Ministra de Dilma executou projeto eficiente para levar água ao Nordeste, diz Janio

Jornal GGN – O jornalista Janio de Freitas usou sua coluna na Folha desta quinta (27) para lembrar a Jair Bolsonaro que, sob o governo Dilma Rousseff, o País teve um projeto “eficiente” e “preferível” para levar água ao Nordeste, executado pela então ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Tereza Campello. A pasta coordenou a instalação do impressionante número de 1 milhão de cisternas na região com escassez de água, e mostrou-se uma obra viável em comparação com a proposta de dessalinização – que apesar de ser uma ideia que ainda está em estudo – e que o Brasil já tem técnicos capazes de ajudar – se mostra um desafio por seu alto custo de manutenção.

Na semana passada, Bolsonaro anunciou que em janeiro seu governo vai “construir a instalação piloto para retirar água salobra do poço, dessalinizar, armazenar e distribuir” no Nordeste. “Tudo a jato”, ironizou Janio, “porque será no mesmo janeiro a ida do ministro da Ciência e Tecnologia a Israel, ainda para procurar parcerias e a tecnologia necessária.”
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“Bolsonaro ignora o indispensável sobre a sua solução técnica”, disparou o jornalista. “O interesse pela dessalinização vem de longe também no Brasil. A tecnologia não é problema. Suas modalidades são conhecidas aqui, já foram testadas, técnicos para aplicá-las não faltariam. Caso alguma dessas modalidades se mostrasse suportável financeiramente. Nem são as instalações, que custam uma só vez. O custo operacional é muito alto e permanente, em descompasso com as condições socioeconômicas da região.”
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Segundo Janio, “outras soluções para as dificuldades prementes dos nordestinos são consideradas preferíveis”, e a prova disso, “sem excluir a continuidade dos estudos de dessalinização”, “é o feito da ministra Thereza Campello no governo Dilma, já citado aqui mais de uma vez: em torno de um milhão —sim, um milhão— de cisternas familiares instaladas, eficiência rara em qualquer setor brasileiro em qualquer tempo. E, de pasmar, sem nem sequer um arremedo de escândalo.”
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Janio ainda frisou que “Israel vale-se da dessalinização” porque “conta com um suporte financeiro sem igual no mundo.” Já o Brasil “está destroçado, desacreditado e sem dinheiro até para alimentar os sinais de vida.”